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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Mensagem aos Médicos

Nossa profissão teve início em tempos de 460 a.C, com a história sagrada de Hipócrates sobejamente conhecida por toda a Humanidade, considerado o Pai da Medicina.

A essência da prática médica, até mesmo em tempos atuais, está baseada em dons e dotes passados ao longo dos tempos, independentemente do avanço técnico e da tecnologia da Medicina.

O que acontece hoje, quando viemos de 28 faculdades de medicina na década de 70 do século passado para quase 500 escolas, nos dias de hoje, com deformidade de formação que levam ao máximo 20 por cento dos atuais profissionais estarem formados no patamar do modelo clássico, realista e idealista da carreira.

A culpa não é do colega em si. É, sim, de governantes irresponsáveis, exploradores caçadores de riqueza que deram esse salto de volume de vagas pensando só no lucro, na exploração da inocência / desconhecimento da sociedade, despreocupados com as vidas que envolvem na prática da medicina.

O resultado disso é a invenção de modalidades de cursos que a USP São Paulo, em 2 anos de experiências, já sepultou há 55 anos. Lembre-se do Curso Experimental de Medicina, fechado após rápida percepção de ineficiência e ineficácia.

É dever nosso, mais experientes, aconselhar para que suas decisões, em meio a ludíbrios, possam ser aproveitadas sem as graves consequências da conclusão enganosa a que podem ser levados depois de 6 anos de formação básica.

Quando vem crítica, do próprio meio da profissão, é de forma sentida, doída ao se entender que grande parte desses idealistas foi enganada desde a oferta de vagas (caríssimas) até ao cabo de 6 anos oferecidos sem Mestres, Professores, Preceptores e Tutores tão necessários e possíveis de garantir a verdadeira formação profissional.

Quem conseguiu se formar segundo as regras tradicionais sabe da dureza que é estar COMPROMETIDO com o paciente em primeiro lugar e com o cumprimento de uma carreira criada para o bem, dentro de seus limites.

As sequelas desse formato de “produção de médicos” implicam em consequências graves que vão da depressão, tristeza, senso de traição e abandono da carreira. Carreira que, aliás, em qualquer área, mostra a Sociologia moderna, não estar sendo perfil de toda uma geração (ou duas), por exemplos, a Y e a Z.

Em meio a isso, é possível se colher uma fatia porcentual, não muito grande, de verdadeiros vocacionados que conseguiram “escapar” dessa armadilha de cursos enganosos da tão apaixonante profissão.

Há sim e haverá, certamente, bons profissionais Médicos.

Para isso recomenda-se a pós graduação em regime de Residência Médica e, aí valendo, numa BOA RESIDÊNCIA MÉDICA (RM).

O que significa? Não ser aquela revestida de mão de obra barata, com o RM mal formado e exigente de mil direitos, sem estar revestida da arte do sacrifício de vida para agregar conhecimento, experiência e dotes profissionais que milenarmente a profissão sempre exigiu.

É tempo de reflexão: enxergar que se vai exercer 50 anos de trabalho, com 6 anos básicos, na maioria mal assumidos, em que mais 6 ou 8 anos de formação complementar, não estão fora do bom propósito.

E a realidade é triste: de 500 faculdades de medicina no Brasil, sem medo de errar, 350 são passíveis de serem fechadas ou, em países sérios, nem seriam abertas.

É triste saber que os donos dessas verdadeiras fábricas de diplomas de medicina, na grande maioria, se escondem das evidências sociais. Enquanto alguns, em nível de baixa formação educacional, se atrevem a ofender gerações de profissionais que, no passado, sempre dignificaram a classe e a sociedade atendida.

E interessante: isso durante sessões solenes de entrega dos ditos diplomas de formatura num gesto de desrespeito à digna profissão. Claro que bem não faz e, em verdade, provoca uma profundo mal estar.

Entendam os prezados colegas que o propósito dessa mensagem é fazer valer o real mérito dessa profissão sempre respeitada no passado e colocada (ainda) no alto da preferência da Sociedade Brasileira.

Procurem, mesmo antes de escolher uma escola, sem se deixar levar por discursos vazios e beleza de edifícios, que a maior razão de uma educação médica está na qualidade do Corpo Docente escolhido a dedo e que, realmente, é a razão do alto custo de uma verdadeira faculdade de medicina

Por fim, o desejo que entendam que tal mensagem acontece por amor que devotamos à nossa profissão e preocupação com o futuro dessa juventude idealista, porém, sem a forja clássica e universal das verdadeiras Faculdades de Medicina.

Você saberá escolher e vencer. Existe um caminho.

Dr Fauze José Daher

Gastro Cirurgião e Médico do Trabalho

Formado pela Escola Paulista de Medicina – CRM 20.810

Mestre em Ciências pela UNIFESP (Univ. Federal de São Paulo)

Ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos

Ex Presidente da APM – Regional de Barretos

Ex Vereador Constituinte (1989-1992)

Advogado – OAB SP 359.410

 

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