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sábado, 02 de março de 2024

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Medidas para proteção escolar: uma reflexão sobre ações e responsabilidades

As opiniões sobre as medidas de proteção adotadas ou recomendadas pelo Estado nas escolas podem variar bastante, dependendo das perspectivas e das experiências de cada indivíduo ou grupo. Muitas pessoas acreditam que as decisões sugeridas pelo Estado para as escolas são essenciais para garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários sob o argumento de que são ações que podem ajudar a prevenir ataques e minimizar os danos em caso de ocorrência de algum incidente.
Por outro lado, há opiniões alheias que questionam quanto a eficácia dessas medidas de proteção, alegando que podem ser insuficientes ou mesmo inúteis em alguns casos, além de levantarem preocupações em relação ao custo e à logística envolvidos na implementação dessas medidas, bem como aos possíveis impactos na privacidade e na liberdade dos alunos e funcionários. Isso sem contar aqueles que têm dúvidas sobre a instalação de detectores de metal, a presença de policiais armados nas escolas ou a presença de vigilantes sem preparo no acesso das escolas.
As medidas de proteção adotadas pelo Estado podem ser fundamentais para a prevenção e redução dos riscos de ataques em escolas, mas é importante que essas medidas sejam efetivas e bem planejadas para que sejam realmente úteis. É essencial que essas determinações sejam adaptadas às necessidades e características específicas de cada escola, além de levarem em conta fatores como a localização, tamanho e características da comunidade escolar.
Enquanto isso, gestores e diretores de escolas também devem ter uma importante responsabilidade nesse contexto, garantindo a segurança e a proteção da comunidade escolar, além de estarem sempre atentos às necessidades e às preocupações dos alunos, professores, funcionários e pais. O ponto de início para um bom planejamento deve considerar os seguintes aspectos:
Conhecer meu risco — Os responsáveis por cada escola e organização precisam conhecer quais são seus pontos fortes e os fracos para tornar as respostas mais assertivas;
Meus recursos – Quais são os recursos que a organização tem para mitigar os pontos fracos e onde será necessário maior investimento para a proteção;
Minhas pessoas — A equipe de funcionários e alunos faz parte desse processo de proteção e precisam estar preparados e orientados para o que devem fazer no momento de crise
Além disso, as medidas de segurança devem ser implementadas em conjunto com outras ações, como o fortalecimento da educação em valores, o apoio psicológico e social aos alunos, a criação de espaços seguros de diálogo e convivência e o combate ao bullying e à violência nas escolas.
O treinamento envolvendo as ações preventivas e de reação em caso de ataques precisa ser introduzido na rotina da organização, pois nunca sabemos quando será necessário aplicar o protocolo de treinamento “run, hide, fight” (corra, se esconda e lute, na tradução), que deve ser realizado por profissionais qualificados e incluir simulações práticas para que os alunos, professores e funcionários possam aprender a estratégia de forma eficaz.
Além disso, o treinamento precisa ser atualizado regularmente para garantir que todos estejam cientes das melhores práticas e possam agir com segurança em caso de um incidente real. Há outros importantes protocolos que devem ser colocados em prática nos treinamentos, como os casos de incêndio ou mesmo mal súbito.
Treinar e capacitar os funcionários e os alunos é uma das melhores formas de obter um melhor resultado. Porém, é importante ressaltar que a segurança nas escolas é uma responsabilidade compartilhada entre governos, escolas, famílias e comunidades, e todas as partes devem trabalhar juntas para garantir um ambiente seguro e saudável para todos os alunos, professores e funcionários.

 

 

André Naves é Defensor
Público Federal, especialista
em Direitos Humanos e Inclusão
Social; Mestre em Economia Política.

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