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terça-feira, 03 de agosto de 2021

Artigos

Medidas contra COVID19 em Barretos: série de equívocos técnicos

Notícia dada pelo Secretário de Saúde de Barretos chama atenção por uma série de equívocos na estratégia de tentar contornar a disseminação da doença.
1) A diminuição de locais de atendimento através de postinhos (unidades básicas de saúde) reduzidos à metade da quantidade em funcionamento. Se o correto é fazer o diagnóstico o mais cedo possível, as áreas de acolhimento têm que ser ampliadas e não diminuídas, até para não haver aglomeração (mais do que nunca, necessárias serem evitadas);
2) Triagem dos casos feitas por enfermagem: é das condutas mais graves, irracionais, ilegais e antiéticas sendo que é norma do Conselho Federal de Medicina, que em hipótese nenhuma, ordena que uma triagem de porta de atendimento de saúde nunca será feita a não ser por médico(a)s;
3) Isso não precisaria estar firmado em norma, mas pela lógica e o mínimo de bom senso;
4) A testagem dos pacientes suspeitos que têm sido atendidos são submetidos a testes que demoram até 6 dias para saberem o resultado; além de ser conduta inadequada, está fora da ordem geral com vários inconvenientes: o diagnóstico passa a ser tardio, perdendo-se chance de receber um tratamento precoce; o grande paradoxo: Governo remunera caro e alto e o povo recebe atendimento inferior do que poderia ser;
5) Fica a questão: será que o objetivo protocolar da Prefeitura é não permitir que casos sejam precocemente tratados? Se assim for, está eliminando um direito autonômico do paciente de optar por agilidade na conduta; isso não é leal ao direito autonômico do paciente de optar pelo que julga melhor;
6) Para isso deve a Prefeitura disponibilizar médicos que concordem em medicar com precocidade no início do diagnóstico. São perguntas: será que está oferecendo essa chance ou alternativa? Os relatos que chegam é que são médicos sem experiência, sem expertise e com possível orientação para observar em casa com medicação meramente sintomática;
7) Não se tem notícia de que a Prefeitura se engajou no rol de cidades que adotaram e implantaram tratamento precoce, mesmo sabendo dos resultados melhores já comprovados em muitas outras cidades;
As questões críticas que consideramos é que não há como pretender explicar que existe falta de médicos para fazerem as triagens. E nessa questão, é plenamente exigível que sejam profissionais preparados para essa missão.
Jamais profissionais sem o devido preparo, recém egressos de faculdades, conforme tem sido explorados pelos gestores engajados às prefeituras municipais.
Outra questão crítica é querer explicar através de falta de recursos. Aí reside uma das maiores aberrações, por se saber que fortunas de recursos vieram no ano passado e já para esse ano em torno de 14 milhões de reais para Barretos. E a grande discussão geral é saber como foram usados esses recursos.
Interessante aqui em Barretos é que gestão monopolizadora da saúde afirma em entrevistas por radio e televisão que é adepto do tratamento precoce mas, na verdade, o que se assiste: praticamente todos os que atendem não praticam a conduta precoce, empurrando o cidadão para o acaso da fase mais difícil.
Por fim, o secretário menciona, como medida destacada, a cobrança de multas por encontros de concentrações de mais de 3 pessoas nas ruas. Passa a impressão de querer forçar na direção de um lockdown, cada dia mais condenado pela realidade dos seus desfechos, e valorizado por essa administração da saúde de Barretos.

Dr. Fauze José Daher
Médico e Advogado

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