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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Médicos demais, qualidade de menos, propaganda enganosa: a consequência do monopólio da medicina da Barretos

A quantidade de médicos noticiada para Barretos, numa proporção de 3 vezes maior que a média estadual em sido uma consequência da irresponsabilidade do gestor da saúde do município e dono da faculdade de medicina e presidente da Fundação Pio XII, que é uma entidade privada e familiar.
Isso é um fenômeno pouco visto no Brasil, em que o dono da faculdade de medicina promete a todos os formandos de sua escola que serão contratados no dia seguinte de suas formaturas. E é próximo do que acontece.
O grande mal é que se formam 90 médicos por ano e se todos forem contratados na rede pública para atender a população SUS, em 7 anos de existência da faculdade de Barretos, mais de 600 estão locados (ou passaram) pela rede de saúde do município e pagos com dinheiro público.
A gravidade maior: o CREMESP que anos seguidos tem feito exame de avaliação do nível de formação das escolas médicas, constatou, que em torno de apenas 45%, tem conhecimento mínimo e básico para atender pacientes com problemas simples de saúde.
Isto significa que nossa rede pública conta com uma verdadeira massa de profissionais sem o conhecimento médico adequado para atender a população. Com a agravante não perceberem o tanto que não sabem de Medicina, apesar de terem um diploma e um número de CRM em mãos.
Isto é uma história? Não, isso é um fato que os próprios pacientes percebem, pelo noviciado do jovem, atendendo com insegurança para decidir. Agravante: não têm mentores nem preceptores na hora H para ajudá-los, somente valendo-se de uma consulta ao Google sem qualquer disfarce e abertamente.
A visão que o gestor do monopólio tem sobre tudo isso é que lhe interessa ter médicos que considera “baratos”, já que não tem consideração maior por essa classe que claramente desmerece.
A frase que reflete isso: “médico é como sal de cozinha, traja o branco, barato e se encontra em qualquer esquina”. Conceito disseminado em tempos recentes, criada ou copiada, típica do perfil de quem não respeita (nem gosta) dessa classe. Aliás, não tem o senso crítico de entender que seu “negócio” maior depende desse grande pilar que é o profissional da Medicina.
Outra frase sabida por colegas oncologistas é uma citação, defronte reunião de Corpo Clínico, que médico vale menos que um “flatus” (não foi essa a palavra usada certamente porque não a conhece) porque o flatus pelo menos tem cheiro….
Um dos criadores da Fundação que preside morreu com o desgosto de ter ouvido isso, sem se conformar e sem poder ter respondido… Era refém de um monopólio já em formação.
Por fim fica aí um “flash” da explicação de termos o maior índice de médicos por habitante, porém, a pior qualidade de Medicina pública, nunca visto antes, em que inocentes profissionais, filhos de pais confiantes e esperançosos sejam parte (ou vítimas) de uma engrenagem exploradora de riquezas, quando tem acesso fácil ao dinheiro público oficial (e o não oficial), liberdade de não prestar contas e uma tabela SUS para câncer que é deveras “generosa”, mesmo quando gerenciada de forma lícita.
Daí não se deixar levar por estatísticas, mormente, quando estas fluem com intenção de burlar a opinião pública que não merece ser maltratada, muito menos ser enganada.

 

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Dr Fauze José Daher
Gastro Cirurgião Ex Diretor
Clínico da Santa Casa de
Barretos e Advogado

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