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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Medicina em Barretos: “mais médicos” e o “golpe de misericórdia” no nível de atendimento

O programa Mais Médicos volta com autoridade de dar a um jovem formado e recém egresso da faculdade o poder de atender e decidir os casos urgentes e não urgentes de cada cidadão brasileiro.
O nível de formação médica exige hoje, no primeiro mundo, 6 anos de formatura mais 6 ou 8 de pós-graduação para que um cidadão atendido tenha segurança de ser clinicamente resolvido sem risco de erros e equívocos.
No Brasil, mercê da péssima qualidade de formação para a exigente e difícil profissão, hoje sobejamente verificada, mais do que nunca isso é necessário.
Prova dessa situação é a constatação, por Conselhos de Medicina, estarem avaliando que 38 por cento de recém-formados não têm capacidade de sequer medir uma pressão arterial nem fazer o diagnóstico de infarto de miocárdio.
Consequência imediata, é que o CREMESP cogita de estabelecer um exame de qualificação mínima antes da concessão de carteira de habilitação. Aliás, é uma medida que tem sido demorada de ser adotada.
Outra constatação: o porcentual de incompetência ocorre entre médicos formados em escolas particulares, em comparação com os formados em escolas públicas. Brasil tem 380 faculdades particulares e em torno de 80 faculdades púbicas.
Fato grave: governo atual cogita dar licença e autoridade para médicos recém egressos das faculdades atenderem pacientes no sistema SUS, principalmente. Além disso, o absurdo de não fazer o exame Revalida para formados no exterior, em que último exame, teve a absurda aprovação de 3 % dos médicos que o prestaram.
E em Barretos, o que tem acontecido?
Tão ou mais grave: o gestor do monopólio de saúde já vem, há alguns anos, disponibilizando médicos recém egressos da sua faculdade particular, alocando-os para atender na rede de postos, postinhos e na Santa Casa, que é o único hospital geral público da cidade e da região.
Até há 5 anos, a Santa Casa, seu pronto socorro e os postos de saúde eram ocupados por médicos com especialidade adquirida ou Residência Médica plena, medidos por concurso seletivo, como exigência mínima para funcionarem no atendimento aos clientes SUS e particulares.
Tudo isso com uma tradição de quase 95 anos, conferindo segurança e tranquilidade à sua população, como também da região de 19 municípios.
O resultado prático desse elenco de irregularidades e deformidades atuais é que enquanto o Brasil ensaia a permitir degradação extrema da qualidade de profissionais alocados para atender a grande e carente população SUS, em Barretos se “oficializa” agora algo que já vem assuntando a população atendida no Hospital Geral, com pronto socorro sem atender em primeira demanda, rotina de cirurgias de urgência e eletivas com decisões de casos médicos sem a devida resolutividade e confiança no acompanhamento.
Aliás, quando paciente tem a sorte de ser continuado no tratamento por um mesmo profissional médico, porque o sistema do atual gestor é o de “empurrar” cada paciente de profissional para profissional, sem a devida resolutividade.
Para completar essa deformidade de atendimento, tem sido usado o esquisito, estranho, demagógico meio de atender medicina num sistema On Line, em que fica vedado ao paciente ver quem o está atendendo. Se no presencial já é ruim, imagine-se de forma acobertada pelo anonimato de “Tele Medicina”.
Lamentavelmente, de mal a pior.

 

 

Dr. Fauze Jose Daher
Médico / Gastro-Cirurgião / Medicina do Trabalho
Ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos
Ex Presidente da Assoc. Paulista de Medicina – Regional de Barretos

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