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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Artigos

Medicina brasileira: do gabarito de bons hospitais à mediocridade do programa “Mais Médicos”

O discurso dos políticos que ora governam o Brasil é de que o programa Mais Médicos vai levar médicos para o interior do País.
É de impressionar como uma experiência já vivida, nefasta, comprovadamente corrupta tenta voltar depois de abolida por razões de uma prática política que foi e protetiva do interesse do povo mal informado e extremamente carente.
Por que, em verdade, o médico atual não se interioriza nos sertões e interiores brasileiros?
São múltiplas e somatórias as razões muitas das quais relacionadas com o nível de formação médica que ora acontece no Brasil.
Assistimos jovens formados em 90 por cento das escolas médicas do Brasil e dos arremedos de “faculdades indústrias” da América Latina (Paraguai, Bolívia, etc) que são “jogados” nos campos de trabalho sem saber o básico dessa complexa profissão. Sobre Cuba, já se imagina serem “enfermeiros com rotulação médica”, em maioria, que já passaram por aí enganando nossa população.
O fato é que, dizendo de brasileiros, são jovens de famílias ricas, gastando fortunas para se formarem, mais da metade saindo sem conhecimento mínimo do básico, ávidos por ganharem de volta seu dinheiro (refund) e enganados por donos de faculdades e gestores exploradores da saúde e da medicina.
Juventude sem pós-graduação digna de uma Residência tradicional (e centenária nalguns países), conscientes do seus precários níveis e poderes de atuação e que JAMAIS IRÃO SE INTERIORIZAR.
Sabe por que? Porque o profissional médico só vai (ou iria) para o “sertão” se tiver formação técnica completa, resolutiva, com poder de decisão segura para fazer frente ao qualquer cidadão em estado crítico por uma doença que precisa de recursos maiores. Isso é raridade em nossos dias.
Pois bem: esse tipo de profissional competente, deve representar hoje 20 por cento do contingente de médicos formados a cada ano. E uma questão lógica: vai preferir ficar nos grandes conglomerados que também precisam de renovação ou inovação.
Razão óbvia e objetiva: não trocarão o conforto profissional (e de vida) pelos riscos de terem que enfrentar condições desestruturadas de um interior que, logicamente, será exigente diante de uma situação crítica de doença.
Outra fortíssima razão: já sabem que políticos (prefeitos e deputados) das cidades “sertanejas” prometem robustos salários, e “caloteiam” na virada de poucos meses, sendo essa uma postura típica e já sobejamente conhecida.
Interessante: isso acontecendo com profissionais plenamente formados e com competência. Imagine-se diante do padrão atual majoritário: jovem originado de “berço esplêndido”, pouco afeito ao trabalho duro (ralado), ávido pelo retorno de seu “investimento”, tendo que enfrentar situações de doenças graves, longe dos grandes centros, sem o devido (e consciente) preparo profissional e sem retaguarda de outros mais experientes e especializados?
O resultado óbvio: tais profissionais não se arriscam ou se oferecem para essa missão (realista) e vão ficar por “aqui mesmo”, inchando oferta de “mão de obra” barateada a cada dia, nas mãos de exploradores da medicina e de saúde. Esses tais gestores, muitas vezes, calados, mas ativos e outras vezes cinicamente (ainda) discursando falsamente serem obreiros do amor.
No mercado: donos de faculdades de medicina (80 por cento), outros exploradores dos profissionais daí saído, alguns ainda com as duas “fatias” de exploração e valendo-se de sórdidos monopólios de prestação de serviços.
Tem gente que acredita, mas muitas já têm consciência dessa fria realidade.
Por fim: duro é sentir isso ao longo de nossa querida Pátria, e se tornado realidade no outro lado da calçada.
Que Deus nos proteja!

 

 

Dr Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e Ex Diretor
Clínico da Santa Casa de Barretos.
Ex Presidente da Assoc. Paulista
de Medicina – Regional de
Barretos e Advogado

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