Ir para o conteúdo

domingo, 29 de maio de 2022

Artigos

Máscaras atrasadas para o uso versus máscaras retardadas para o desuso: exemplo contemporâneo de um velho comportamento humano

O comportamento social do Homem tem uma marca interessante que é a demora ou delonga para se aceitar um novo costume, por maior importância que esse tenha. Resiste, ao extremo, algo que já tenha sido comprovada a sua eficácia ou importância.
Um exemplo consagrado, é o da importância do uso do cinto de segurança no carro ou caminhão, que minha geração assistiu em épocas de sua imposição no Brasil: lembra-se de lei criada pelo Governante Paulo Maluf.
O que houve de críticas, reclamações e resistência ao cumprimento do uso do mesmo, foi de chamar atenção (e por muito longo tempo). Após assimilado esse novo uso, qualquer cidadão hoje sente-se inseguro ao ligar o carro sem colocar devidamente o dito cinto. Que bom.
Em dias atuais (últimos 2 anos) pudemos assistir dois momentos típicos e interessantes. O primeiro foi durante a onda inicial da pandemia, em que tínhamos um vírus mais violento, por atacar bases pulmonares e demais vasculaturas dos órgãos em geral, em que o povo custou a aceitar e passar a usar as máscaras que supostamente tinham um valor preventivo ou atenuador da doença.
Quanta discussão foi empregada no sentido de aquilatar características da máscara e quanto foram explorados comercialmente os seus valores? E os estilos que passaram a ser criados, mais voltados para a moda do que por uma preocupação maior de prevenção?
O cidadão custou… demorou mas aprendeu a usá-la.
Nessa segunda onda, trazida pela modalidade Ômicron, de início já se “percebeu”, tecnicamente, tratar-se de um agente menos patogênico, com raras afecções da intimidade dos pulmões, baixo índice de internação e de mortalidade. Aí, então, já se aprendera, embora com atraso, a importância ou necessidade (discutível e discutida) do uso da mesma, tornando-se um exemplo de bom comportamento social, tal a abrangência de usuários das máscaras.
Então vem o paradoxo: quando o “desmame” de máscaras já poderia ser mais abreviado e mais amplamente adotado, estão aí as pessoas aderidas ao seu uso, num terrível temor que deixou de existir “lá atrás” para permanecer muito presente em tempos atuais, quando já se tem certeza da menor patogenicidade do “bichinho”.
Interessante que, ontem, ao ir à farmácia comprar minhas necessidades, a farmacêutica que sempre me atende, então, com um jeito acanhado, “obrigou-me” a colocar uma máscara, ali dentro, porque era ordem do Conselho Federal de Farmácia, o uso da referida “proteção”, que a própria decisão da Medicina e a lei já desobrigaram.
Para piorar, colocam figuras verdadeiramente incompetentes para tratar do assunto, como o caso de jornalistas, políticos, curiosos e curandeiros a tratar do problema sem a menor preocupação sobre as bobagens afirmadas sem base científica, mais confundindo do que informando.
Interessante: está aí um exemplo de fenômeno social, comportamental e estribado na incapacidade cognitiva e intelectual do pensamento da grande massa populacional que sabemos ser, às vezes, limitada e temente, justificando a lentidão e a falta de perspicácia para enxergar outras mazelas em nossa Sociedade Brasileira, caso típico das nossas altíssimas autoridades…
E viva o lucro fantástico das indústrias farmacêuticas e, por que não, das queridas redes de drogarias que chegam a dar descontos de 50 a 80 por cento em exagerados “preços habituais”. Bom usarmos máscara, mesmo, quem sabe, a esconder um famoso “nariz vermelho”.
É o nosso Brasil…

 

Dr. Fauze José Daher
Médico/Gastrocirurgião
Médico do Trabalho
Advogado.

Compartilhe: