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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

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Mas o que é mesmo um Sínodo? (2/5)

A palavra “sínodo” é muito antiga na história da Igreja. Deriva da língua grega, sendo formado pela preposição sin (com) e pelo substantivo odós (caminho). Indica o caminho feito conjuntamente pelo povo de Deus. Antes de tudo, faz-nos pensar em Jesus, “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6), que veio de junto do Pai para caminhar com os seres humanos. Faz-nos pensar também nos cristãos que, no início do cristianismo, eram chamados de “discípulos do caminho” (At 9,2). Um termo parecido, sinodalidade, igualmente se faz ouvir hoje, designando uma dimensão constitutiva da vida da Igreja. Poderíamos até dizer que é impossível pensar a realidade da Igreja sem atribuir-lhe esta nota que lhe é fundamental: povo de Deus, que caminha em comunhão.
Viver em “espírito sinodal” significa todo o povo caminhar junto, pela mesma estrada, de modo fraterno e com disposição para o diálogo e a partilha. Para o papa Francisco, “fazer sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir suas pegadas, escutando sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos. Aprender a ouvir-nos uns aos outros – bispos, padres, religiosos e leigos; todos, todos os batizados – é um exercício lento, talvez cansativo, evitando respostas artificiais e superficiais, respostas prontas e acabadas… essas, não!” (11/10/2021).
O caminho feito por Jesus ressuscitado, com dois de seus discípulos, rumo ao povoado de Emaús (Lc 24,13-35) é paradigmático nesse sentido. Ele se põe a ouvi-los, acolhendo suas angústias e percebendo suas necessidades.
Com amor, ajuda-os a compreender melhor sua vida e atuação; senta-se com eles à mesma mesa, para partilhar o pão, e lhes aquece o coração para a longa missão a cumprir.

 

(Por: Pe. Vanildo de Paiva, Arq. de Pouso Alegre-MG)

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