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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Maria e a virtude da Solidariedade

Joana mora numa pequena cidade do interior de Minas Gerais. Casada, com dois filhos e dois netos, trabalha em um sítio da região, cuidando da casa, do galinheiro e dos cachorros. Ela é conhecida na região pela sua bondade com as pessoas que necessitam. Sempre que Joana ganha roupas e brinquedos, ela divide com os vizinhos e as crianças pobres. Outro dia vi Joana com uma máquina de cortar cabelo na mão. Ela me explicou: “É para cortar o cabelo do seu Manoel. Coitado dele! Seu Manoel trabalha muito, mas bebe demais. Vive sozinho no seu barraco. Deixa o cabelo crescer e não toma banho. Então, cada mês eu corto o cabelo dele e digo: ´Agora vai tomar banho!´ E ele vai”.

Como Joana, muitas pessoas das nossas comunidades se dedicam aos mais pobres, doentes, idosos e necessitados. Essa prática da caridade, que hoje chamamos também de solidariedade, é uma marca dos seguidores de Jesus.

O capítulo 25 do Evangelho de Mateus fala do juízo final e daqueles que estarão para sempre na presença de Jesus glorificado. Quem são eles? Jesus dá alguns exemplos: quem matou a sede, partilhou a comida com os necessitados, visitou os doentes e prisioneiros. Somente quem sente a dor do outro como sua pode ser solidário.

Hoje a solidariedade tem um lado social. Não basta ajudar uma pessoa necessitada. Precisamos realizar ações comunitárias para combater as causas da pobreza e do sofrimento da maioria da população. Quando somos solidários, partilhamos o que somos e temos, e também recebemos graças e dons.

Maria exercitou muitas vezes a solidariedade, como uma virtude. Isso é uma qualidade boa que fez parte de sua pessoa. Logo depois que Maria dá seu Sim a Deus, ela caminha apressadamente para ajudar Isabel durante sua gravidez (Lucas 1,39-40). Esse encontro trouxe coisas boas para ambas: alegria, esperança, confiança nas promessas de Deus.

No início da vida pública de Jesus, Maria exerce a caridade pedindo a intervenção do filho para que a festa de casamento em Caná não acabasse antes da hora. Ela sentiu a necessidade da família dos noivos e logo buscou uma solução (João, 2,2-10). Assim, Jesus começou a manifestar aos discípulos quem Ele era, e eles se reuniram em torno do mestre (João 2,11).

Que Maria nos estimule a viver a virtude da caridade solidária. Amém!

(Por: Irmão Afonso Muraci, FMS, professor de Mariologia na FAJEN

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