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Mais biogás
Além de Ribeirão Preto, outras experiências estão acontecendo pelo Brasil. Em Entre Rios do Oeste, cidade do Paraná com 4 mil habitantes, será a primeira do país a tornar-se autossuficiente em energia elétrica, térmica e automotiva graças ao biogás.
Quem for um pouco mais velho vai lembrar do Mad Max – A Cúpula do Trovão, um curioso filme em que Tina Turner interpreta a líder de uma cidade que sobreviveu à crise energética criando porcos e gerando biogás dos dejetos.
Assim, a vida copia a arte, também em Entre Rios do Oeste, o biogás será gerado dos dejetos dos 130 mil suínos criados na cidade, além do esgoto. O que era problema, vira solução energética.
O projeto de saneamento foi desenvolvido pela Plataforma de Energias Renováveis de Itaipu e será financiado, nesta primeira fase, pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) através da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) e desenvolvido em parceria com a prefeitura. Serão destinados R$ 14 milhões para a estruturação de 63 das 93 propriedades rurais onde são criados suínos e gado de leite.
Esse projeto começou em Marechal Cândido Rondon, com a implantação do Condomínio Ajuricaba, que reúne 33 agricultores. Os dejetos produzidos pelos animais criados nestas propriedades podem produzir até 12 mil metros cúbicos de biogás por dia, suficiente para atender toda a demanda dos prédios públicos da cidade, incluindo as escolas, e suprir a iluminação pública e ainda abastecer com energia térmica a maior olaria do município, que substituirá a lenha que usa atualmente. Na segunda fase do projeto será incluída a coleta de esgoto.
O biogás será transportado por um gasoduto até uma central, onde poderá ser convertido em energia elétrica, térmica ou gás natural renovável (GNR) usado como combustível de veículos. O biogás também pode substituir o gás de cozinha e a lenha utilizada na secagem de grãos. A economia gerada será próxima de R$ 400 mil por ano.
Novamente, não custa lembrar que além do mau cheiro, os dejetos dos animais produzem gases do efeito estufa e podem ainda contaminar o solo e a água, além de poupar hidrelétricas e termelétricas a carvão ou diesel. E, o mais importante, esse projeto pode ser implantando em 130 dos 395 municípios do Paraná.
O Brasil, como país agrícola, gera muita biomassa, só em São Paulo a maioria das áreas de colheita utiliza-se da queimada, 60 bilhões de kg de biomassa são desperdiçados, e diante de tanta biomassa, nada melhor que recordar do velho de guerra, ou melhor, da guerra, o gasogênio. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil desenvolveu rapidamente dispositivos de gasogênio para veículos que ficaram sem gasolina importada. Toda esse resíduo agrícola pode tornar-se gás combustível e substituir a lenha e o diesel. E ainda podemos usar o gasogênio para gerar hidrogênio barato.
O Legislativo e o Executivo, nas três instâncias, deveriam implantar projetos-piloto e incentivar essas iniciativas. E incluir também o biodiesel de óleo de cozinha usado e de gordura animal ou de sebo, de bovinos, frangos e suínos. No Brasil existem disponíveis 700 mil toneladas anuais de sebo bovino. Ser estadista não é mais opção para político sério.
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.