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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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A luz não se deixa aprisionar

Conta-se que numa constelação havia uma pequenina estrela que se destacava entre as demais, não pelo tamanho ou brilho, mas por sonhar além. Sim, ela não se conformava com a sua condição, nem tão pouco se deixava persuadir por aquelas que diziam que ela não passava de uma pequena estrela sem brilho ou importância, e se projetava sempre em direção àquilo que acreditava, e sonhava todas as noites em se tornar uma grande estrela, luminosa e radiante, capaz de refletir o seu brilho tão intensamente a ponto de fazer com as outras pequenas estrelas pudessem também brilhar um pouco mais.
À medida que o tempo passava, o seu entusiasmo foi cativando as demais estrelinhas que começaram a acreditar no sonho dela e, quanto mais se aproximavam, mais se fortalecia o brilho dessa estrela que logo se viu imensa e radiante, cercada por milhares e milhões de pequenas estrelas que sempre foram relegadas a insignificância.
Não demorou muito para que a alegria e a luminosidade dessa estrela passassem a incomodar as demais grandes estrelas que por tanto tempo reinaram absolutas e ostentavam seu brilho com orgulho e presunção. Algo precisava ser feito, pois não era concebível que uma pequenina estrela atingisse tal nível de esplendor. Numa reunião entre todas as estrelas cadentes da constelação, ficou definido que aquela estrela deveria ser banida da constelação e reclusa em algum lugar distante para que se evitasse o contato com as demais estrelas menores a fim de que elas desistissem da ilusão de que também poderiam brilhar.
E assim foi feito; as grandes e poderosas estrelas se articularam juntas e retiveram a tal estrela num lugar distante. O que elas não imaginavam é que não havia cárcere algum capaz de aprisionar o clarão que dela refletia e alcançava todas as outras estrelas que nunca mais seriam as mesmas. Algo havia mudado, pois passaram a entender que o brilho depende de uma força interior de cada uma delas e que todas poderiam, à medida de seu sonho, lutar e alcançar o lugar que deseja iluminar.
Assim, cada uma, a seu tempo, resplandeceu em brilho e claridade e, em cada reflexo, reverenciavam a primeira estrela que ousou brilhar para além do que era permitido e que, mesmo distante, não cessava de iluminar e encorajar a todas.

Fernando Felix Rabelo
Diácono

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