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sexta-feira, 20 de maio de 2022

Artigos

Livro-entrevista “Em diálogo com o mundo: o Papa responde” a 100 perguntas dos pobres

Cem perguntas que resumem milhares delas, que vieram de pobres de todo o mundo: das crianças das favelas do Brasil e de mulheres das planícies indianas, de jovens do deserto iraniano e americanos sem-teto, de prostitutas asiáticas e famílias malgaxes. Quatro grupos de moradores de rua e trabalhadores precários da Associação “Lazare”, que se dedica a dar um lar às pessoas em situação de rua na França e em outros países, fizeram perguntas ao Papa Francisco quando recebidos na Casa Santa Marta. Desses encontros nasceu o livro “Em diálogo com o mundo. o Papa responde” disponível nas livrarias desde o dia 1º de abril nos idiomas italiano, francês e espanhol.
“Me magoa que homens da Igreja, padres, bispos, cardeais, dirigem carros de luxo e, longe de dar o exemplo de pobreza, dão os testemunhos mais negativos”, explica o Papa Francisco quando questionado sobre a pobreza na Igreja. “Qual é o seu salário?”, pergunta Chandni da Índia. “Eu não ganho nada”, é a resposta, “realmente nada! Eles me mantêm e, se eu precisar de algo, peço. Afinal, eles sempre me dizem que sim. Não se discute com o Papa! Se eu preciso de sapatos, peço. É bom, porque quando se está tão ‘protegido’, como no meu caso, pode-se ficar com os bolsos vazios. Na ausência de proteção, por outro lado, é preciso ter algo no bolso, a sua dignidade depende disso. A minha é uma pobreza fictícia, porque não me falta nada”.
Ele é verdadeiramente o “Papa dos pobres”, comentam os quatro editores no prefácio. Juntamente com os convidados da Casa Santa Marta, eles tentaram “entrar no coração deste homem, no coração das suas palavras e ações”, e a melhor maneira, escrevem, é “ouvi-lo falar, não sobre pobreza, mas com os mais pobres”. E contam que a ideia do livro surgiu na primavera de 2020, em pleno lockdown da pandemia de Covid-19, quando em vez de cancelar a audiência pelo aniversário de 10 anos da Associação “Lazare”, Francisco convidou um pequeno grupo de sem-teto ao Vaticano, conectando-se a outros por videoconferência. Era 29 de maio de 2020, e depois daquele “primeiro encontro verdadeiramente extraordinário”, escrevem os editores, “percebemos que aquele diálogo tinha que continuar. Christian, em particular, sentindo o seu apetite despertar, sugeriu ao Pontífice de prosseguir a conversa durante o almoço. Naquele dia não foi possível, mas o pedido fala muito da espontaneidade das nossas trocas. E a proposta de continuar a partilha, abrindo-a aos pobres do mundo e produzindo um livro, foi acolhida”.
Através dos pobres, concluem, o Papa Francisco “estabelece um diálogo com o mundo inteiro”. “Os mendigos éramos nós, mas foi ele quem disse obrigado. E optou por renunciar aos seus direitos de autor, doando-os às associações que nos ajudaram a receber as perguntas”.
Fonte: Vatican News

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