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sábado, 25 de junho de 2022

Artigos

Licitação deformada (UPA), balanço da saúde pelas metades e o monopólio crescente sob as “barbas do profeta”

O monopólio da Saúde em Barretos se torna cada vez mais visível como causa da falta de qualidade, falta de providência com passividade e conivência das chamadas autoridades no assunto.
Somente uma ampla rede de conflitos de interesses na cidade, que atinge esferas estaduais e federais de governo, poderia tornar permissível esse vício (monopólio) que é, clássica e juridicamente, tratado como crime, previsto em lei, em qualquer sociedade no mundo moderno.
A prestação de contas publicadas na imprensa de Barretos, semana passada, por auditoria particular promovida pela gestão H Câncer, na Santa Casa de Barretos, está muito longe da ampla verdade que precisa ser apurada.
Presidente da Fundação que acusou médicos e gestores anteriores de condutas desonestas e oportunistas, há 5 anos, hoje se configura como mandatário de um monopólio que ora se amplia, com uma licitação da única UPA da cidade, com um modelo de manobras imorais nessa escolha, atropelando a Sra. Prefeita, então levada a erros grosseiros dentro de uma administração pública.
Que licitação é essa?! “Montada” com 2 participantes apenas, um dos quais está de saída pela péssima qualidade do atendimento há mais de 4 anos, e é “aceita” como uma de duas concorrentes a assumir? Se deveria ter sido descontratada há muito tempo, e proscrita com recomendação negativa para outras cidades, passa agora a ser aceita novamente para concorrer?
Do outro lado, valendo-se de uma chamada “cama” a ser ocupada, aparece a Fundação Monopolizadora, agraciada por uma manobra grotesca, viciosa, imoral, vexatória e consumada numa verdadeira “cara de pau” e aceita passivamente pela gestão municipal.
Venceu a concorrência, alguém que está monopolizando e nivelando por baixo a saúde pública e hospitalar da cidade. Quem efetivamente manda na Prefeitura, faz o que quer e como quer, através de um secretário da saúde que é um leigo no gerenciamento de saúde e ex-empregado da Fundação gestora. É concebível (moralmente) ser esse o condutor do processo licitatório..!?
Aí veio a prestação de contas e vem a pergunta?
Versa somente sobre os anos 2020 e 2021?
E sobre o período de intervenção pela Fundação Pio XII, oficialmente desde 2.017 e, extraoficialmente, desde 2016? Onde estão as análises de auditoria desse período? Não houve interesse da Fundação Pio XII investigar? Por que?
A pergunta se faz porque o Sr. Henrique Prata acusou praticamente toda a classe médica de Barretos como sendo praticante de uma “medicina desonesta” e as notícias de seu período de gestão, de fato, tem apresentado questionamentos sérios do uso de verbas oficiais aplicadas na cidade e região, além da péssima qualidade do atendimento geral.
Acusou também 20 anos de gestão administrativa das Mesas anteriores como também (no mínimo) incompetentes. De maneira fria e ofensiva a quase 100 anos de empenho da Irmandade da Santa Casa, sempre respeitada.
Desfilou números mirabolantes de déficits que era inicial e real, de 64 milhões, em uma semana mudando para 127 milhões e, em mais três outras, saltando-a para 400 milhões. Ficaria essa estória estranhíssima, esquecida e sem merecer o alcance de uma auditoria séria e verdadeira? É a pergunta…
Esquecimento de um período que teve a ridícula venda de um robusto plano de saúde (Santa Casa Saúde) por um valor de 43 milhões, que teria gerado apenas 3 milhões. Se é que virou…
Pois bem: 5 anos de intervenção já são passados e a péssima qualidade da medicina oferecida à população está colocando Barretos como corrutela incapaz de acudir e bem tratar da sua população.
Detalhes do baixo nível de atendimento pode ser apontado elencando:
– fechamento grave de leitos hospitalares, de 350 para 200;
– quadro de profissionais médicos sem qualificação por título ou concurso, sem nível mínimo de formação, sem experiência e sem retaguarda de orientação;
– encaminhamento de pacientes para fora da cidade em condições vulneráveis, desumanas e chegando ao nível de irresponsabilidade;
– fechamento das portas do único serviço de emergência (formal e legal) que é o Pronto Socorro da Santa Casa de Barretos, tirando o líquido direito do cidadão de ser atendido por um verdadeiro Serviço de Emergência, obrigando-o a ir para uma UPA totalmente fora de qualificação;
-sem contar a péssima performance da cidade no período de pandemia de COVID19, com índices piores que qualquer recanto de São Paulo, sobre o que foi criada uma CPI cujo relato, por melhor “arranjo de vereadores” que tenha sido feito, não pode fugir da falta de explicação de posturas médicas e administrativas merecedoras de uma investigação mais séria ao nível de Procuradoria Federal, Estadual, Polícia Federal, Tribunais de Conta sem esquecer um CREMESP que esteja isento de conflitos de interesse, como é o atual na Delegacia Regional.
O que não pode prevalecer é essa quantidade de falhas gerenciais na saúde e a péssima qualidade oferecida à população.
Outra questão que merece ser mencionada, é o hábito de trazer políticos, autoridades e personalidades nacionais, mostrar uma “vitrine” de tratamento e treinamento oncológico, como são o Hospital de Câncer e o IRCAD, e “esconder” a Santa Casa que sempre foi o porto seguro da grande população de Barretos e região, agora colocada como entidade sucateada e mero ponto explorado com ensino médico, deixando a desejar pela falta de um Corpo Docente verdadeiro ou “de verdade”.
Lembrando que o IRCAD é uma marca e um modelo francês de balizas rígidas, no início quase rejeitado não fosse a visão mais lúcida de um médico do comando. Agora, é a cereja do bolo.
Feita essa análise crítica, voltamos a recomendar ao Presidente da Fundação, em gesto construtivo ou de solução, que construa o seu hospital universitário, nos moldes que constrói pelo Brasil afora; dote sua faculdade de medicina com VERDADEIRO ELENCO DE PROFESSORES, DOUTORES, MESTRES E PESQUISADORES, com isso podendo conquistar uma clientela atraída pela qualidade do tratamento. E não usada como massa de manobra de ensino injusta e desonestamente (aí sim cabendo a questão da HONESTIDADE) sacrificando a assistência médica ao povo.
Faça assim valer o seu poderio pessoal, num negócio que lhe é particular (faculdade) respeitando aquilo que é de natureza pública, devendo ser rica em regras de Direito e longe do enriquecimento pessoal.
É como pensam muitos barretenses privados de manifestar o “endosso”, exatamente pelas algemas, mordaças e caneleiras eletrônicas geradas pelo sórdido monopólio.

 

 

Dr Fauze Jose Daher
Médico/Cirugião/Vídeo-Endoscopista,
ex Diretor Clínico da Santa Casa de
Barretos, ex Presidente da
A.P.M – Regional de Barretos, ex
Vereador Constituinte (1992) e Advogado

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