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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Artigos

Lava Jato apocalíptico

Em 17 de março de 2014, a Polícia Federal iniciava uma operação que se mostraria ainda mais escandalosa que o Mensalão. Porém, começou modesto, com uma notícia quase perdida no meio de tantas outras no dia seguinte. Não foi somente um bom trabalho policial, mas também um excelente trabalho de um juiz que não se intimidou e soube montar a arapuca de corruptos. 
A investigação da Polícia Federal começou em Brasília e durou nove meses, com muitas operações financeiras suspeitas identificadas onde funcionavam um posto de gasolina, uma agência de câmbio e uma lavanderia, daí o nome de Operação Lava Jato, um esquema que teria movimentado mais de R$ 10 bilhões. 
Naquele dia 17, a Polícia Federal prendeu 17 pessoas em ações feitas em 17 cidades,  de seis Estados e do DF, apreendeu R$ 5 milhões em dinheiro, 25 carros de luxo, joias, quadros e armas. Entre os presos, a doleira Nelma Kodama que levava 200 mil euros na própria calcinha, quando embarcava para a Europa. Imitação barata de outro petista. 
No dia 20, a Operação tomaria o rumo que mudaria a história da corrupção no Brasil. Investigado pelo Ministério Público Federal pela compra da refinaria em Pasadena, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa foi preso sob suspeita de destruir e ocultar documentos. Em sua casa, foram encontrados R$ 751 mil, US$ 181 mil e € 11 mil em espécie. Ele se tornou alvo da Operação Lava a Jato porque ganhou um jipe Land Rover Evoke do doleiro Alberto Youssef. Exatamente como aconteceu com outro petista. Youssef já havia remetido ilegalmente para o exterior mais de US$ 30 bilhões no escândalo do Banestado. 
Em agosto de 2014, Costa aderiu à delação premiada, em troca de redução da pena, e revelou o esquema de propina na Petrobras que era cobrada de fornecedores da estatal e direcionada para atender aos partidos PT, PMDB e PP. E revelou que os recursos foram usados na campanha eleitoral de 2010.  Segundo Costa, as diretorias comandadas pelos três partidos recolhiam propinas de 3% de todos os contratos. 
Esse esquema teve início em 2003, primeiro ano do governo Lula, quando se formou um cartel entre grandes empreiteiras para prestação de serviços à Petrobras e para obras de infraestrutura. 
Protagonismo importante exerceu o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância. Moro ouviu testemunhas de acusação e defesa, mandou prender operadores e empresários e fechou doze acordos de delação premiada. 
Em 14 de novembro último, a Polícia Federal fez buscas em grandes empreiteiras e prendeu 85 executivos e outros investigados. Entre essas empresas, encontram-se as gigantes Camargo Corrêa, OAS, Odebrechet, UTC, Queiroz Galvão, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Iesa. Essas empresas têm contratos de R$ 59 bilhões com a Petrobras. Eles não acreditaram, mas passaram o fim de ano na cadeia e alguns resolveram colaborar. 
O juiz Moro encaminhou ao STF documentação que culminou na abertura de inquéritos para investigar 48 políticos. Já foram citados 22 deputados federais, 13 senadores, 12 ex-deputados e uma ex-governadora de cinco partidos: PT, PMDB, PP, PTB, e PSDB. E, importante, espera-se a devolução de R$ 1,5 bilhão, sendo que algumas centenas já foram. 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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