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sábado, 02 de março de 2024

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Jesus quer discípulos autênticos

O evangelho deste 2º domingo do Tempo Comum parece destituído de fatos importantes e de maiores ensinamentos. Está cheio somente de nomes, muitos nomes: João Batista, André, Simão Pedro e, prosseguindo na leitura, Filipe, Natanael. No entanto, que força emana dessa sucinta narração! Jesus escolhe seus primeiros discípulos; começa uma nova fase da sua vida.

Como foi simples aquele primeiro encontro, do qual deveria nascer o colégio apostólico e a Igreja: “Mestre, onde moras?  Vinde e Vede”. Foram – escreve o evangelista João que estava entre os presentes – e ficaram com ele aquele dia. O que disseram não sabemos; sabemos, porém, que decidiram permanecer com ele toda a vida. Não se contentaram de ficar com ele sozinhos e em ficar com o chamado para si: André correu para comunicar a descoberta a Simão, seu irmão; Filipe encontra Natanael e lhe diz: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na Lei e que os profetas anunciaram”. Também João correu e foi contar a alguém porque, em seguida, com ele encontramos também seu irmão Tiago.

Os discípulos multiplicam os discípulos; partilham sua descoberta incontida com os outros. Estes homens o seguiram por toda a vida, beberam o cálice do Senhor e se tornaram seus amigos.

O título de “discípulos de Jesus de Nazaré” se tornou sua nova identidade pessoal, como uma nova filiação e uma nova profissão, substituindo as de filho de Zebedeu, de zelote, de publicano, de pescador etc., uma identidade que se tornava a cada dia sempre mais perigosa e comprometedora, até se tornar prova de acusação: “Tu és um dos seus discípulos!”; “Tu estavas com Jesus de Nazaré!”. Nasce assim a figura do discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus.

Mas, ao lado desta figura, surge com maior luminosidade a figura do discípulo-testemunha; até aquele que dá o testemunho supremo: o martírio. Outra característica do discípulo de Jesus, que aparece em todo seu vigor na Igreja primitiva, é a da imitação, ou melhor, do “seguimento do Mestre”, que encontra também seu ápice no martírio.

Também hoje ser discípulos de Jesus de Nazaré significa essencialmente duas coisas: primeiro, “imitar a Cristo”, no sentido entendido pelo Evangelho, isto é, colocar-se em seu seguimento e aprender com ele, especialmente a fazer a vontade do Pai; segundo, “testemunhar Cristo” – dizer ao mundo quem ele é, o que foi e o que é para nós, tornar outros discípulos.

Que programa para nós! Ser reconhecidos à primeira vista como discípulos de Jesus de Nazaré; que quem nos vê e nos conhece possa dizer, como disse a serva a Pedro: “Não és porventura, também tu, dos seus discípulos?!” revela-o seu modo de falar! Melhor se puder acrescentar: “prova seu modo de viver!” Assim, como dizia Santo Inácio de Antioquia: “É melhor ser cristão sem dizê-lo, que dizê-lo e não sê-lo”.

Jesus ainda hoje merece este tipo de discípulos: a estes discípulos dá sua força e seu amor; não os chama mais servos, mas amigos; a eles promete sua companhia para sempre.

 

Por: Dom Milton Kenan Jr

 

 

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