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quinta-feira, 23 de maio de 2024

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Jesus e você: permanecendo um no outro

O diálogo entre Jesus e Pedro continua nas últimas linhas do evangelho de João, depois da ressurreição, com o convite a apascentar as ovelhas (Jo 21,17), ou seja, tornar a vida uma proximidade ao “rebanho”, às realidades mais concretas, na sintonia com aquilo que o Mestre mesmo fez: deixou as 99 e foi atrás daquela que tinha se perdido (Lc 15,4-7).

O texto de João volta-se, na sequência, para o discípulo amado, a imagem concreta da comunidade cristã que estava nascendo. De fato, a passagem recorda-o referindo-se a este gesto: aquele que tinha se inclinado sobre o seu peito! (Jo 21,20). Poderíamos dizer que esta é a síntese de todo o discipulado e de todo o seguimento de Jesus: permanecer perto do coração!

O segredo do discípulo amado é este: permanecer perto de Deus, inclinado sobre o seu coração, disposto a olhar para o futuro e disposto a permanecer!

O discípulo amado transita entre a fidelidade total e a não banalização do amor! Trata-se de um amor que não pode ser vivido longe da “Videira verdadeira”, qual ramo que quer dar fruto!

Permanecer exige intimidade! É difícil permanecer onde não há bem-querer, não há reciprocidade. Entre Jesus e o discípulo amado o permanecer está na comunhão, na proximidade que gera o amor! O chamado a permanecer é mais difícil quando tudo é descartável, tudo é rápido e passageiro. Escolher permanecer é escolher a contramão neste momento da história!

Mário Quintana escreveu que “o amor é quando a gente mora um no outro”.

É isso. Essa comunhão que rompe o isolamento, que descongela a frieza das relações, que nasce de dentro, é próprio de quem aprendeu a amar, a sair de si, a ser feliz com os outros!

O coração de Deus é o lugar para rezar. O coração de Deus é de onde vem toda a consolação, o Pentecostes sem fim! Veni, Creator Spiritus (Vem, Espírito criador), dai-nos a graça de permanecer!

 

Por: Pe Maicon A. Malacarne, Diocese de Erechim-RS

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