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sábado, 17 de abril de 2021

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Iraque: Santos dos primeiros séculos

Continuando a apresentar os mais importantes profetas, santos e mártires que nasceram no território que hoje é o Iraque, a propósito da visita do Papa Francisco ao país entre os dias 05 e 08 de março, hoje indicamos os santos dos primeiros séculos.
Na medida em que as comunidades cristãs pregavam o Evangelho e a Ressurreição de Jesus Cristo no antigo Iraque, começaram a surgir outros santos famosos.
Um deles é o mártir São Policrônio, bispo da Babilônia, que foi preso durante a perseguição do imperador Décio no século III, junto com os sacerdotes Parmênio, Helimenas, Crisotelo e os diáconos Lucas e Mocio.
Preso, São Policrônio recebeu a ordem de oferecer sacrifícios aos ídolos, mas recusou firmemente. Conta-se que o santo permaneceu em silêncio durante o interrogatório, o que levou Décio a ordenar que ele fosse apedrejado na boca até morrer. Os três sacerdotes e os dois diáconos também foram martirizados.
Pouco tempo depois viveu São Julião Saba, cujo sobrenome significa “ancião” em aramaico, um eremita de língua siríaca das margens do rio Eufrates que entrou na vida monástica aos oito anos de idade. Sabe-se que o santo ajudou os cristãos do Império do Oriente durante a perseguição do Imperador Juliano, o Apóstata, e que praticou o ascetismo e fundou vários mosteiros antes de morrer de causas naturais em 367.
Outro santo iraquiano dessa época foi São Marolo de Milão, que nasceu perto da Babilônia, às margens do rio Tigre. É provável que devido à perseguição, o santo tenha crescido na Síria e depois se mudado para Roma, onde se tornou amigo do Papa Inocêncio I. Depois, mudou-se para Milão, foi nomeado bispo em 408, liderou a diocese durante a invasão visigótica e ajudou as vítimas e refugiados. Morreu em 423 de causas naturais e foi enterrado em Milão.
São Mateus, o Eremita, é especialmente querido pelos cristãos iraquianos que o conhecem como “Mar Matta”. Foi um sacerdote do século IV que nasceu em uma aldeia ao norte da antiga cidade de Amida, ao norte da Mesopotâmia. Durante a perseguição de Juliano, o Apóstata, o santo e outros monges fugiram para o Monte Alfaf, localizado na Planície de Nínive, no norte do Iraque, onde praticou ascetismo e ficou conhecido por fazer milagres.
O príncipe Benham, filho do rei Sinharib de Assur, visitou São Mateus e, sabendo de seu dom de fazer milagres, pediu-lhe que viajasse com ele de volta para a cidade de Assur, na margem do Tigre, para curar sua irmã Sarah de uma doença e assim ocorreu. Em seguida, Behnam, Sarah e 40 escravos se converteram ao cristianismo e foram batizados pelo santo.
Mar Matta voltou ao Monte Alfaf, mas o rei Sinharib descobriu a conversão do grupo e todos sofreram o martírio enquanto tentavam escapar para se juntar a Mar Matta no Monte Alfaf. O rei enlouqueceu, a rainha o levou ao local da morte dos mártires e lá conheceram Mar Matta, que curou o rei Sinharib de sua loucura e depois os batizou.
Mar Matta pediu que fosse construído um mosteiro no Monte Alfaf e o rei aceitou. O santo viveu, morreu e foi sepultado no chamado Mosteiro de São Mateus.
Um santo um pouco posterior é Isaac de Nínive, conhecido pelos iraquianos como “Ishaq de Nínive”, que nasceu por volta do ano 613 na região de Beth Qatraye, no sudeste da Mesopotâmia, perto do atual Qatar. O santo foi nomeado bispo siríaco de Nínive e é conhecido por seus escritos sobre ascetismo e teologia cristãos.
Entretanto, após cinco meses, pediu para abdicar do cargo, porque os deveres administrativos como bispo não se ajustavam a sua natureza acadêmica e reservada. Então, viveu uma vida ascética na solidão por muitos anos, deixando um rico trabalho na vida espiritual.
Alguns outros santos muito queridos no Iraque são conhecidos como Mar Miskinta, Mar Eilya, Mar Pythion, Mar Ahodymmi, Mar Attqen, Mar Bena e Mar Boya. A palavra “Mar” significa “santo”, “sagrado” ou “respeitado” em árabe.
Fonte: ACI Digital

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