quinta-feira, 09 de julho de 2020

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Inverno e pandemia exigem cuidados especiais para pessoas com asma

No Brasil cerca de 10% da população sofre de asma, que é um dos fatores de risco em relação à pandemia da Covid-19 (novo coronavírus) e que pode ser agravada pelas condições e hábitos típicos do inverno

As mudanças de temperatura, a utilização de roupas que acumulam poeira com mais facilidade ou que estavam guardadas há muito tempo, a permanência em ambientes fechados ou com pouca circulação de ar são situações típicas do inverno que podem agravar os quadros de saúde em pessoas com asma.
De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a asma é uma doença que atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que cerca de 20 milhões de pacientes são portadores de asma, representando cerca de 10% da população.
Com o início do inverno e as situações relacionadas à pandemia da Covid-19 (novo Coronavírus), os portadores de asma precisam de cuidados especiais para prevenir quadros de crises e o agravamento da doença.
De acordo com Pedro Luís Pompeu da Silva, médico pneumologista do Grupo São Francisco, que faz parte do Sistema Hapvida, a asma é uma doença inflamatória crônica, por isso, os portadores representam um grupo de risco nesse momento de pandemia. Ele ressalta que é importante redobrar a atenção e os cuidados para que o quadro esteja bem controlado neste período.
“A asma entra no fator de risco da Covid-19, já que o quadro piora com uma infecção viral concomitante por aumentar a inflamação pré-existente. Assim, os pacientes precisam estar com o quadro bem controlado e tomar todas medidas preventivas como higienizar as mãos constantemente, usar máscara sempre, evitar aglomerações e ficar atento aos sinais de infecção viral como febre, dor de cabeça, dor no corpo, diarreia, perda de olfato ou paladar, tosse seca e piora na falta de ar”, orienta Silva.
O pneumologista afirma que a asma, geralmente, aparece no período da infância, mas que pode ter início em qualquer idade.
“O histórico familiar de asma é importante na avaliação dos casos suspeitos. No entanto, os principais sintomas são tosse seca ou com secreção, sibilos (chiados) recorrentes que pioram com esforço físico, ao dar risadas e no inverno, quando também pode ocorrer o início de uma rinite concomitante, além de uma sensação de aperto no peito, falta de ar e dificuldade para o encher o peito”, comenta o médico do São Francisco.
O médico afirma que por se tratar de uma doença crônica como diabetes e hipertensão arterial, a asma pode ser leve, moderada ou grave, o que irá diferenciar o tipo de tratamento. No entanto, ele ressalta que alguns cuidados e o tratamento de forma contínua são ações extremamente eficazes.
“Atualmente morrem 420 mil pessoas por ano no mundo em decorrência da asma. No entanto, os tratamentos são eficazes quando o paciente mantém a medicação prescrita diariamente. Além disso, é importante evitar o contato com substâncias que podem desencadear alergias, manter uma boa higiene domiciliar, evitar contato com fumaça de cigarro, priorizar ambientes bem ventilados, manter uma atividade física e adotar um estilo de vida saudável”, orienta Silva.
De acordo com o pneumologista, neste momento de pandemia é importante que o paciente evite o ambiente hospitalar e que a ida aos hospitais seja preferencialmente em casos de urgência e/ou emergência. “No caso da asma, o paciente deve manter seu tratamento diário e ter um plano de ação emergencial para crises, sob orientação do seu médico, antes de procurar uma unidade hospitalar”, conclui Silva.

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