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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Artigos

Inteligência Artificial transformando cidades

O movimento colaborativo de compartilhamento de informações tecnológicas entre as cidades brasileiras, incluindo códigos-fonte de programação, começou em 2021 com a criação da ANCITI – Associação Nacional das Cidades Inteligentes, Tecnológicas e Inovadoras. Estávamos na pandemia, no início da vacinação, quando Recife compartilhou os códigos fonte de seu recém-lançado aplicativo para agendamento de vacinas com outras cidades do país. Desde então, a troca de experiências e informações entre os gestores de tecnologia das cidades brasileiras tem crescido constantemente, mas esbarra em grandes desafios.

Pesquisa da ANCITI revela que apenas 21,9% dos municípios brasileiros tem orçamento previsto para a implementação e desenvolvimento de sistemas de IA. Além disso, entre esses municípios, apenas 42,9% estão efetivamente destinando esses recursos para a Inteligência Artificial. Apesar de ter algumas das metrópoles mais inteligentes do mundo, como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Recife, o Brasil ainda engatinha na universalização da tecnologia como ferramenta de gestão.

O uso de IA e de outras tecnologias pelos governos municipais ainda esbarra em questões como a falta de legislação específica para a contratação ou desenvolvimento de soluções, além da falta de pessoal especializado. Pesquisa do Gove, um software de relacionamento para governos, aponta que metade das cidades brasileiras sofre com a falta de mão de obra capacitada para desenvolver e aplicar tecnologias, que apenas 5% das cidades brasileiras têm acesso a ferramentas de inteligência artificial e mais de 60% das cidades não estão em conformidade com a LGPD. A ANCITI tem ajudado municípios de todo o país a superarem essas barreiras justamente com a realização dos seminários Smart Gov.

A estrada tecnológica que aumenta a eficiência dos governos e melhora a qualidade de vida da população já começou a ser construída. Ampliar e revolucionar o ecossistema de inovação das cidades brasileiras, para antecipar o futuro no atendimento às demandas dos cidadãos é um caminho sem volta, mas é preciso agilizar esse processo.

Johann Dantas é tecnólogo em Tecnologia da Informação (FATEC), pós-graduado em Sistemas de Informação (IBTA)

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