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sábado, 08 de fevereiro de 2014

Artigos

INSTITUCIONALIZAÇÃO DA DESORDEM

Vivemos uma situação de extrema complexidade social:
Embora os índices de desemprego e de desigualdade social tenham diminuído, a quantidade de desocupados e arruaceiros tem aumentado exponencialmente, incentivados pela conivência de autoridades permissivas e impunidade de leis mal-elaboradas ou não cumpridas, em razão de interesses eleitoreiros.
Começou com as brigas agendadas de torcidas organizadas. Agora, são os “pancadões”, bailes “funk” de rua, que infernizam a vida dos moradores, descumprindo leis existentes em vários municípios brasileiros, que proíbem uso de som alto em vias públicas, principalmente, no período noturno. Isso sem falar que a maioria – senão totalidade – desses “eventos” é realizada sem autorização formal, sem policiamento e fechando vias públicas, entre outras irregularidades.
Aí, quando o clamor dos prejudicados exige, em nome do direito e do bom senso, que essa “bagunça” seja proibida, os arautos dos “direitos humanos” alegam que ela não passa de uma “legítima manifestação cultural da juventude”… Visão tosca de democracia!
Antes desse discurso oportunista, para evitar a ação da polícia alguns desses “jovens”, em nome da “liberdade de expressão”, resolveram organizar os primeiros “rolezinhos”, apavorando frequentadores e comerciantes de shopping centers.
E quando eles resolveram fechar suas portas, alguns próceres consideraram essa atitude desproporcionada.
Agora, eles os fazem nas ruas!
Fica difícil não associar os “rolezinhos” aos “arrastões”.
Quase sempre, não passam de reuniões organizadas por desocupados, com infiltração de marginais, traficantes e desequilibrados mentais, que saem pelas ruas promovendo atos de vandalismos, assaltos e agressões.
Se isso é “manifestação cultural legítima”, que Deus nos proteja!
Como conter dezenas, às vezes milhares, de pessoas que se reúnem para intencionalmente azucrinar a vida dos outros?
A legislação que deveria proteger os adolescentes dos adultos, não protege os adultos dos adolescentes, que podem cometer crimes impunemente. Eca!
Os índices de desemprego e de desigualdade social estão baixos, mas os presídios e institutos de “reeducação” de menores estão superlotados!
O que diferencia os “rolezinhos” violentos – cada vez mais constantes e, até previsíveis – da ação de gangues?
Porque a ação de quem os organiza – sabendo que não terão controle sobre as consequências – não é enquadrada como crime de formação de quadrilha?
Porque tantas mídias, em nome da audiência e do lucro insistem em divulgar músicas que incentivam à violência e à degradação moral, trilha sonora dos “pancadões” e “rolezinhos”.
“Cultura popular”, alguns alegam. Que até jovens de classe média adotaram, graças a essa massificação intencional, à falta de opção!
Passam com seus carros ou os estacionam próximo de hospitais, universidades, áreas residenciais, praias, enfim, onde quer que seja e, sem pedir licença, abrem os vidros e colocam o som no volume máximo, para tocar algo que não merece ser chamado de música: grunhidos com letras péssimas e temas vulgares. Em vez de se trancarem nos carros e estourarem os próprios tímpanos, obrigam quem nada tem a ver a aturar o seu mau gosto e falta de respeito ao próximo.
Esse é o gosto popular?
Se for, então merecemos os “rolezinhos”, a alta criminalidade, a violência e impunidade de graúdos e “di menores”.
E os que protestarem contra isso, talvez vão para a cadeia, por prejudicarem a imagem do Brasil…
 
Adilson Luiz Gonçalves
Escritor, Engenheiro e Professor Universitário
Membro da Academia Santista de Letras

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