quarta-feira, 28 de outubro de 2020

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Inovar pode ser mais simples do que parece

Sempre falamos sobre a importância da inovação para os negócios e como a tecnologia tem nos ajudado nessa questão, mas existem muitos pontos a serem esclarecidos.
O primeiro deles a ser desmistificado é exatamente sobre a inovação. Diferente do que muitos pensam, inovar não significa exclusivamente criar algo novo. Neste caso, entra em ação a inovação disruptiva, que tem como premissa tornar a solução anterior obsoleta, ou seja, não tem como objetivo único criar um novo produto e pode, inclusive, criar um novo hábito de consumo.
Em uma publicação de 1997, o professor de Harvard e inventor do termo Clayton M. Christensen, popularizou o tema ao explicar que novas revoluções, sejam industriais ou tecnológicas, destroem as antecessoras e podem “roubar” o seu lugar. Para ilustrar uma inovação disruptiva podemos citar o celular, que toma a cada dia o lugar do telefone fixo.
Mas o mercado não precisa apenas de novas maneiras de resolver os problemas. Nós, inovadores, podemos ajudar melhorando as formas atuais com a inovação incremental, sem que ocorra a quebra de grandes paradigmas, criando melhorias para soluções existentes, sem torná-las obsoletas. Gosto de citar a evolução no segmento das lâmpadas. Desde os primeiros estudos no século XIX, partindo do princípio das resistências elétricas até a atualidade, onde são mais eficientes no que diz respeito à consumo de energia, performance, durabilidade e sustentabilidade.
Nada torna um tipo de inovação mais importante que o outro. Todas as invenções, de maneira geral, auxiliam o desenvolvimento de uma sociedade. O mais importante é entender que fazer a gestão da inovação é prioridade para se manter no mercado.
A inovação pode ser aplicada nos processos, por exemplo, buscando melhoria nas operações com foco em aumento de produtividade e redução de custos, e nos produtos e serviços, se adequando às necessidades dos consumidores, ajustando tamanho e forma das embalagens, design, sabores, entre outros aspectos. Ela também é aplicada setorialmente, abrangendo os players daquele mercado de atuação, ou seja, quando as empresas de um determinado segmento inovam, como os veículos híbridos no setor automotivo.
O segundo ponto que precisamos esclarecer é que a startup vai muito além de um termo da moda e uma cultura organizacional flexível. Trata-se de muita organização, planejamento, metodologia ágil de gestão, padronização, testes, validações, pesquisas e muito, mas muito trabalho, suor e dedicação.
Uma das premissas e, talvez a principal delas, é que para ser uma startup existe a obrigatoriedade de ser escalável em seu modelo de negócios, ou seja, ter capacidade de atender uma demanda cada vez maior, sem comprometer a qualidade da entrega e sem que seus custos aumentem na mesma proporção.
Nem todo novo empreendimento é uma startup. Elas nascem para ser grandes empresas. E nem todas as empresas têm esse mesmo objetivo. Este pode ser um tema para um próximo artigo. A grande diferença em relação à empresa tradicional é que uma startup surge a partir de uma demanda do mercado, para oferecer solução para uma dor ou novo hábito de consumo. Isso a torna um empreendimento de risco, por não existirem pares a serem comparados ou histórias de sucesso. Os “startupeiros” são verdadeiros desbravadores.
Já as empresas tradicionais nascem da necessidade e, por isso, têm como objetivo em seu planejamento a existência sustentável e a remuneração dos investidores, em sua maioria mais conservadores.
Por fim, é importante ressaltar que em nenhum dos casos o sucesso é certo, pelo contrário, muitas empresas – independentemente de ser startups ou tradicionais -, não passam dos primeiros anos de vida. Muitas vezes, uma opinião é formada a partir do sucesso de grandes empresas, mas essa não é a melhor maneira de se avaliar este mercado, pois para cada grande empresa que alcança o sucesso, ao menos sete não chegaram lá.

Jean Dunkl
CEO da CPD Consultoria, consultor especialista em Gestão Estratégica de Negócios e gestor da Impera (Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Franca)

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