Ir para o conteúdo

segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Imperícia na prática médica e imprudência com negligência no gerenciamento da saúde pública

A omissão de socorro, condição grave na Medicina com previsão de censura no Código e Ética Médica como também no Código Penal Brasileiro, sempre foi situação incomum, em todos os tempos, no exercício da assistência médica. Porém, em tempos recentes, a situação tem se avolumado.
Décadas atrás isso pouco acontecia por conta da qualidade de formação dos profissionais de saúde, bem como da responsabilidade gerencial dos gestores, sempre cumprindo uma regra fundamental: admissão de profissionais mediante avaliação de currículo e provas de habilitação e qualidade.
O que acontece em nossos dias? O Brasil banalizou esse importante requisito de estruturação do atendimento, por 2 razões evidentes: nível de formação profissional do médico atual, com verdadeira “indústria” bacharéis em medicina, sem capacidade de resolver a grande maioria dos casos.
Segundo fato é o absurdo de trazer, através do “Mais Médicos”, estrangeiros cujo nível de formação não deixa dúvidas quanto ao despreparo, inclusive por fugirem do exame de revalidação, como o ”diabo foge da cruz”, que certamente revelaria o despreparo e a desqualificação.
Aí vem a coragem de criminalizar o atendimento em regiões pobres dos sertões brasileiros, dentre as quais Barretos, rica que é, estar sendo tratada dessa forma irresponsável, em verdadeiro “sorteio” para o azar.
A realidade vigente: colocar em rede de atendimento público, profissionais sem a devida perícia, é cometimento da imprudência (do gestor/prefeita) de expor o cidadão inocente sob os cuidados ou à tutela médica num inevitável risco de insucesso que pode ter como desfecho a morte.
O gestor de saúde tem a coragem de cometer 3 dos tipos de omissão de socorro: a imprudência em disponibilizar pessoal despreparado; a imperícia envolvida exatamente pelo despreparo do profissional; e, englobando os dois, a negligência ao não aprimorar regras de contratação para atendimento público.
Nesse triste cenário, a convivência de políticos (prefeitos) e gestores explorando e visando o lucro na minimização de custeio, de forma fria e desleal.
A realidade de inocentes pacientes e usuários por não enxergarem o nível da enganação, muitas vezes sem saberem o grau de deficiência do atendimento.
Vale destacar outra triste realidade, de certa forma revestida também de inocência, que é o jovem profissional médico, lançando-se imediatamente ao campo trabalho, sem a devida formação pós-graduada, mal sabendo o tanto que está despreparado para decisões vitais. Daí, a imperícia inserida no contexto.
O que chama atenção é que cada uma dessas formas de omissão (negligência, imprudência e imperícia) podem, por si só (e a cada cidadão lesado) gerar uma grave penalidade. Porém, a degradação governamental chega ao ponto de admitir que tais omissões aconteçam em massa por conta do desleixo na oferta de pessoal qualificado para um grande contingente de cidadãos.
Anima a isso o enorme conflito de interesses envolvidos num emaranhado conhecido e visível, capaz de transitar fria e indiferentemente.
Valha-nos Deus.

 

 

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Ex Diretor Clínico
da S. Casa de Barretos.
Ex Presidente da Assoc.
Paulista de Medicina – Reg.
de Barretos e Advogado

Compartilhe: