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IGNÁCIO DE LOIOLA, A PARABOLA E UEBE
Bom Dia Barretos. Todo dia de manhã cultivei o hábito de tomar o desjejum lendo o Jornal de Barretos e o Estado de São Paulo reservando para o almoço a leitura da Folha. Mas ao ler a crônica de Ignácio de Loyola, não contive a vontade de trazer à consideração de meus irmãos barretenses um trecho que considero ilustrativo.
“Diz Loiola, mentir é feio, sempre disse minha mãe. A mentira tem perna curta, alertava meu pai. Quando alguém mente, o nariz cresce, foi o que vimos lendo Pinóquio. Coisas que aprendemos desde criança, que os candidatos, e me permite Loyola, de todos os lugares, e não só de São Paulo [acrescentamos] fingem ignorar completamente.
Eles chegam e dizem as mentiras mais cabeludas, mentem de pés juntos e não se envergonham, mentem pelas tripas de Judas. Acrescenta: Pensam que somos bobos. Juram que estão dizendo a verdade. Juram pela alma da mãe, que deve revirar no túmulo. Invocam santos e anjos, juram por Deus e o pobre Deus, lá em cima, ou onde estiver – não pode entrar na conversa, desmentir, negar, protestar, contestar. Imaginaram Deus a cada momento tendo de aparecer aos gritos: Mentira dele, Mentira dela.”
Agora vamos à parábola: “Dormir enquanto os ventos sopram.” Diz a parábola que um fazendeiro possuía terras ao longo do litoral do Atlântico. Ele constantemente anunciava estar precisando de empregados. A maioria das pessoas estava pouco disposta a trabalhar em fazendas ao longo do Atlântico. Temiam as horrorosas tempestades que varriam aquela região, fazendo estragos nas construções e nas plantações.
Procurando novos empregados, ele recebeu muitas recusas. Finalmente, um homem baixo e magro, de meia idade, aproximou-se do fazendeiro. – Você é um bom lavrador? – perguntou o homem. – Bem, eu posso dormir enquanto os ventos sopram – respondeu o pequeno homem. Embora confuso com a resposta, o fazendeiro, desesperado por ajuda, empregou-o.
O pequeno homem trabalhou bem ao redor da fazenda, mantendo-se ocupado do alvorecer ao anoitecer. O fazendeiro estava satisfeito com o seu trabalho. Então, uma noite, o vento uivou ruidosamente. O fazendeiro pulou da cama, agarrou um lampião e correu até o alojamento dos empregados. Sacudiu o pequeno homem e gritou: – Levanta-te! Uma tempestade está chegando! Amarre as coisas antes que sejam arrastadas! O pequeno homem virou-se na cama e disse firmemente. – Não, senhor. Eu lhe disse que posso dormir enquanto os ventos sopram. Enfurecido pela resposta, o fazendeiro estava pensando em despedi-lo imediatamente, mas se apressou em sair e a preparar o terreno para a tempestade. Do empregado trataria depois.
Para seu assombro, constatou que todos os montes de feno tinham sido cobertos com lonas firmemente presas ao solo. As vacas estavam bem protegidas no celeiro, os frangos nos viveiros e todas as portas bem travadas, as janelas bem fechadas e seguras. Tudo foi amarrado. Nada poderia ser arrastado. O fazendeiro, então, entendeu o que seu empregado quis dizer e retornou para sua cama para também dormir enquanto o vento soprava.
Depois de ler a crônica de Loyola e relembrar da fábula, elevei meus pensamentos aos céus e agradeci a Deus por ter cumprido por três mandatos todas as propostas de governo que apresentamos. E aí entendi porque durmo tranqüilo enquanto os ventos uivantes da política se abatem sobre Barretos em mais uma campanha eleitoral.
Quando fui chamado a servir minha cidade, o fiz com dedicação, e permitam-me a falta de modéstia, com muita competência. Fui ridicularizado quando propusemos retirar os trilhos que estrangulavam a cidade, bem como, a implantação da região dos lagos, a desapropriação de oitenta alqueires para implantar um distrito industrial, e as construções das unidades integradas.
Pois bem, fizemos tudo além de alargar as ruas, trocar a iluminação da cidade, implantar rede de águas pluviais, uma usina de asfalto no almoxarifado e com ela asfaltar todo o bairro Marília e boa parte da cidade. Desdenharam quando propusemos construir o Racibe Rezeck, o Cavalgando para o Futuro, a Floriano Taceli Filho, ligando o bairro Cristiano de Carvalho ao Zequinha Amendola, entre tantas outras obras, todas entregues. Duvidaram que pudéssemos entregar a Via das Comitivas em três meses e anunciaram que uma vidente havia previsto o desmoronamento do estádio do Parque do Peão quando da inauguração. Privilegiei em meus mandatos o atendimento à saúde, educação, saneamento básico, abastecimento de água, atendimento humanitário através da Secretaria da Promoção Social, de onde nunca um carente saiu de mãos abanando.
Agora posso me dar ao luxo de buscar a merecida aposentadoria da vida pública, e o faço, não pela idade, que no meu caso só acrescentaria amadurecimento e sabedoria, mas pelo desencanto com a nova maneira de fazer política. Antes tínhamos a felicidade, a alegria e o prazer de poder sonhar e nos realizarmos com a entrega das obras. Não é o que se pratica na política moderna.
Hoje outros interesses se apresentam e norteiam as administrações. Só convidei pessoas para compor o primeiro escalão, por competência profissional, nunca por composição política ou apoio parlamentar, e sempre substituí de pronto, peças que por um ou outro motivo se desviaram das normas emitidas pelo gabinete.
Enfrentei uma CEI por não dar vagas em concurso de magistério a vereadores, uma penca de denúncias vazias por demitir um secretário que estava a negociar um loteamento. Enfrentei dificuldades para fechar um balanço, quando um Presidente de Câmara, maldosamente atrasou a devolução dos recursos não gastos à Prefeitura. Porém nunca me curvei e sempre enfrentei de peito aberto os imprevistos. Paguei um preço muito caro por isso, mas me orgulho de tê-lo feito. Posso, portanto agora, como o homem da fábula, dormir tranqüilo enquanto o vento sopra.
BOM DIA BARRETOS.