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sábado, 15 de junho de 2024

Artigos

Identidade Europeia

A Europa precisa redescobrir e reafirmar a sua identidade como continente civilizador, identidade que começa por respeitar as tradições culturais locais, de cada nação, com a riqueza dos povos que formaram esse grande continente. A União Europeia, muitas vezes, com uma visão global excessivamente técnica, encontra dificuldades nos esforços de uma unidade mais natural, porque a história, a memória e a cultura local precisam ser preservadas, para que isso aconteça, e não por meios burocráticos que querem impor uma unidade artificial. A Europa sempre esteve aberta a todos os povos do mundo, e a sua base cristã civilizatória é que garantiu o esplendor das maiores conquistas humanas, na filosofia, na arte e na ciência. Atualmente, o que vemos são novas ideologias em curso, que parecem desconsiderar esta base cristã; daí a crise do sentido de vida e de identidade que hoje afeta muitos europeus.
A União Europeia poderia desempenhar um papel mais relevante, se o seu foco não fosse prioritariamente econômico, porque a unidade europeia não é só uma questão de economia. Como afirma Willian Keegan sobre a União Europeia, “o objetivo dos dois pais fundadores mais proeminentes, Jean Monnet e Robert Schuman, era unir a Europa politicamente por meios econômicos. O pesadelo seria se os meios econômicos adotados nas últimas décadas servissem para desunir a Europa”. E é o que parece estar acontecendo, em vários aspectos, por aqueles que buscam em Bruxelas soluções para os novos problemas que desafiam a Europa hoje, no mundo cada vez mais globalizado e com tensões crescentes.
Sabemos que “a própria noção de identidade nacional está em crise”, como atestam muitos estudos, mas a discussão deve ir mais além do que identidade nacional, mas cultural, a riqueza cultural dos povos europeus. Por exemplo, a União Europeia aprovou recentemente a exigência de renovação obrigatória dos edifícios antigos. Alguns eurodeputados agiram no sentido de preservar os edifícios religiosos de abusos que possam comprometer a preservação de centenas de edificações que formam o patrimônio cultural e histórico da Europa, que expressam concretamente a alma do povo europeu, em obras de arte de valor inestimável. A preservação dos edifícios antigos, especialmente religiosos, é fundamental para a preservação da identidade europeia, por isso que os eurodeputados que defendem esta preservação, acertam em dizer que a unidade europeia não é só uma questão de economia, mas de história, cultura e espiritualidade.

 

 

 

 

Valmor Bolan é Doutor em Sociologia.
Professor da Unisa. Ex-reitor e
Dirigente (hoje membro honorário)
do Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras.

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