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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Artigos

Humanidade suicida

Há algo errado com a humanidade e que a faz suicida. Diante de iminentes catástrofes, o ser humano comporta-se como se alguma divindade fosse intervir para salvar. Observa-se isso nas aldeias indianas que convivem com najas, populações vizinhas de vulcões, como do Vesúvio, intoxicação por chumbo, como no Império Romano, que assistiam o mal que o metal fazia com mineradores e fundidores -a ponto de chamarem a doença de saturnismo- e mesmo assim insistiam em fabricar canos de chumbo para transportar água. 
O chumbo, apesar de tóxico, desempenhou grande papel para a humanidade. Talvez poucos saibam, mas foi devido à medição da proporção entre urânio e chumbo que foi possível calcular a idade da Terra. Isso porque o urânio decai em chumbo. Assim, basta medir a proporção e teremos a idade, já que sabemos a meia-vida do urânio. 
O cientista Harrison Brown, da Universidade de Chicago, descobriu isso em 1947 e escolheu Clair Patterson, um aluno brilhante, recém-formado, para fazer a pesquisa. E Patterson fez algo mais, salvou a humanidade de um colapso. 
Patterson nasceu no Iowa, em 2 de junho de 1922, filho de um carteiro, graduou-se em geoquímica no Grinnell College em Grinnell, recebeu seu Ph.D. na Universidade de Chicago, e sempre trabalhou no California Institute of Technology. 
Brown escolheu Patterson porque este era muito experiente com o espectrômetro de massa, além de ter trabalhado no projeto Manhattan. A pesquisa consistia em descobrir como medir a quantidade de chumbo dentro de cristais de zircão, porque uma vez formado o cristal, nenhum urânio poderia entrar ou sair, apenas decair em chumbo. A medição do urânio no mesmo cristal foi atribuída a George Tilton. 
Tilton obteve sucesso rapidamente, medindo sempre 3,2 partes por milhão. Patterson não conseguia um resultado coerente, foi quando intuiu que o laboratório estava contaminado… Então fez tudo que poderia fazer para limpar o laboratório por dois anos, esterilizando recipientes e ferramentas, purificando produtos químicos… E nada! 
Uma grande oportunidade apareceu quando Harrison Brown foi para o Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, e chamou Patterson. E seis anos eliminando a contaminação de chumbo no ambiente levou-o a construir a primeira sala ultralimpa do mundo. Finalmente, pode fazer as medições e calcular a idade da Terra: 4,5 bilhões de anos de idade. 
Porém, sua experiência com chumbo o levou em rota de colisão com as maiores corporações do planeta, a indústria da gasolina, a causadora da contaminação por chumbo. 
E o chumbo é venenoso porque imita outros metais, como o zinco e o ferro, que as células precisam. O chumbo também bloqueia neurotransmissores e interfere nos receptores moleculares que são vitais para a memória e aprendizagem. É principalmente prejudicial para as crianças. 
Patterson ficou sem financiamento para suas pesquisas, mas teve o apoio do governo americano, do exército, da marinha, da Comissão de Energia Atômica, do Serviço Público de Saúde e da Fundação da Ciência Nacional. Vinte anos depois conseguiu banir a tetraetila de chumbo da gasolina, salvando toda a humanidade. 
 
 
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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