sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Artigos

Gratidão aos consagrados e consagradas na Igreja

Ao celebrarmos a solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu, celebramos a presença e o testemunho da vida consagrada na Igreja do Brasil.
Em nossa Diocese de Barretos, a presença de consagrados e consagradas de diversas Congregações Religiosas e Institutos Seculares, que abrigam junto de si, leigos e leigas que bebem do seu carisma para atuar nas mais diversas atividades eclesiais é uma grande riqueza.
Ao dirigir-lhes minha palavra e torna-los ainda mais presente nas minhas orações, quero dizer aos consagrados e consagradas que o testemunho que dão é um sinal muito eloquente do Reino de Deus entre nós!
Há poucos dias acompanhamos o falecimento e o sepultamento de Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Prelado da Prelazia de S. Félix do Araguaia. Um missionário claretiano, como foi o primeiro bispo de Barretos, Dom José de Matos Pereira. Vindo da Espanha para uma missão no Mato Grosso, ali viveu a maior parte da sua vida, testemunhando heroicamente a Encarnação de Jesus, numa vida despojada, solidário com o povo humilde que lhe fora confiado.
Não tive a graça de conhece-lo nem em vida, nem por ocasião do seu velório e sepultamento; mas, as imagens veiculadas pela internet da sua casa, da sua sepultura e, ouvindo o que muitos que conviveram com ele dizem, não posso deixar de dizer que ele nele vemos estampado vigor da vida consagrada.
O fato de tornar-se padre e bispo não apagou a sua consagração religiosa, mas, ao contrário, tornou-a ainda mais eloquente.
Perguntei a seu respeito dele a algumas pessoas que tiveram a oportunidade de encontra-lo e conviver com ele, qual palavra escolheriam para defini-lo? E a resposta foi sempre a mesma: um místico.
Um místico capaz de ver a Deus em todas as coisas: na beleza da Casa Comum, no olhar das crianças, na partilha dos pobres, na defesa dos povos tradicionais; mas, também a negação de Deus quando a dignidade das pessoas é espezinhada de maneira feroz, que priva famílias inteiras do acesso à terra, onde o desejo de acumular coloca em risco a natureza, condenando à degradação a casa comum destinada por Deus para todos os seus filhos e filhas.
Á ele e a tantos consagrados e consagrados aplicam-se as palavras de São Gregório Magno que afirma que a marca dos grandes homens (e mulheres) é de que “na dor da própria tribulação, não descuidam da necessidade dos outros; e, enquanto suportam com paciência as adversidades que os ferem, pensam em ensinar aos outros o que é necessário, à semelhança de certos grandes médicos que, atingidos eles próprios, esquecem suas feridas para cuidar dos outros” (Moralia in Job, I, 3,40).
Hoje precisamos de vocês consagrados e consagradas, com seus leigos e leigas agregados à suas famílias religiosas para relembrar nos, que a beleza da Igreja é testemunhar Jesus Cristo e o seu Reino, não com palavras apenas, mas com a vida.
Nós queremos agradecer-lhes pelo testemunho que vocês dão à nossa Diocese, dedicando as suas vidas ao atendimento generoso ás comunidades paroquiais que lhes são confiadas; nas muitas atividades realizadas por vocês no atendimento de crianças, adolescentes, jovens, anciãos e enfermos; nas casas de formação na Cidade de Maria.
Em cada um e uma de vocês há também muito de profeta e místico, de discípulo e missionário.
Vocês agem silenciosamente, mas não tenham dúvida de que o bem que vocês fazem resplandecem e torna a Igreja um sinal vivo do Reino de Deus!

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

Compartilhe: