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A graça de sermos todos irmãos!
Ao acompanharmos a história das questões éticas e as ideias que giram em torno dela desde a antiguidade até nossos dias, percebemos que em seu centro está contido o problema da “violência” e junto dela diversos meios para evitá-la, diminuí-la e controlá-la para que sua ação não se propague e interfira na liberdade, fraternidade e a igualdade do ser humano roubando-lhe a paz.
Em nossa cultura, a violência é entendida como o uso da força física e do constrangimento psíquico para obrigar alguém a agir de modo contrário à sua natureza e ao seu ser, eis ai por que o assassinato, a tortura, a injustiça, a mentira, o estupro, a calúnia, a má-fé, o roubo são considerados violência imoralidade e crime.
Como seres racionais, somos dotados de vontade, liberdade e a capacidade para a comunicação e adaptação para a vida em sociedade, e por isso somos também capazes de localizarmos e definirmos a violência a tudo aquilo que nos reduz à condição de um simples objeto ou escravos de algo que nos manipula, roubando-nos a liberdade e a nossa identidade pessoal. Assim sendo, para que se haja uma conduta ética pautada pelo respeito e os limites estabelecidos para o bem de todos, é necessário que se tenha em primeiro lugar a consciência de si e dos outros, isto é, ser capaz de refletir e de reconhecer a existência do outro como um sujeito ético igual a ele.
Olhando para a realidade do Brasil, segundo o estudo feito pela Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é “Superação da violência” e o lema “Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8)”, os índices de violência no Brasil superam os números de outros países que se encontram em guerra ou que são vítimas frequentes de atentados terroristas.
Uma das causas é que a pessoa do outro passou a ser considerada uma questão de “ameaça”, fruto de discriminação e preconceitos, ao qual se vê o próximo como um inimigo ou pautado a partir de interesses de sobrevivência e a satisfação de si mesmo, desvalorizando o que representa a pessoa do outro.
Esta realidade nos desafia, como pessoas do bem, a não ficarmos parados em nosso mundinho, a encararmos a realidade de frente e a construirmos a partir de nós mesmos a fraternidade, dentro de nossas casas, famílias, em nosso trabalho, onde estivermos inseridos, promovendo a cultura da paz, da reconciliação através do perdão e da justiça que geram caminhos de fraternidade, pois como Jesus nos disse: “Somos todos irmãos”, e assim sendo, o Homem não é o lobo para o próprio Homem, vivamos o Amor e a Fraternidade que nos gera a paz!
Daniel Canevarollo
Seminarista