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sexta-feira, 08 de dezembro de 2023

Artigos

Gestão da Saúde: marketing violento na busca de dinheiro enquanto a população sofre omissões de toda ordem

Governo do Estado precisa urgentemente tomar ciência da triste realidade de Barretos, como centro regional de 18 cidades. Na cidade existe um elenco de vistas grossas em cima da péssima qualidade de atendimento à população.
Onde está a ruindade?
Desde a apoderamento da Santa Casa de Barretos, de grande parte da rede de ambulatórios e da única UPA da cidade, por parte da Fundação Pio XII, a comunidade de pacientes SUS se encontra em mãos de maioria de profissionais médicos em fase de aprendizado prático.
É público e notório o cúmulo de aprendizes estarem respondendo por tratamentos e decisões médicas da maioria maciça dos pacientes. Não há como os usuários disfarçarem o medo de terem que buscar tais serviços. Não há como esconder a fuga de pacientes para outras cidades, até menores da região, por conta de poderem contar com profissionais mais gabaritados.
Quanto a isso, uma Santa Casa com marginalização de mais de 100 médicos especialistas e experientes, em mais de 20 especialidades, subjugada a uma condição de hospital de 2ª. linha jamais visto há mais de 60 anos.
Um corpo de enfermagem subvalorizado, explorado em sua condição de trabalho, num regime de estresse imposto por um gerenciamento sórdido e explorador.
As vistas grossas sobre isso, passam por gestão municipal, executivo e vereadores, conselho que fiscaliza o exercício profissional, Ministério Público conivente diante das denúncias e de evidências públicas.
O elemento comum que tempera toda essa realidade, que beira à condição criminosa do que é a ação governamental, é um notório emaranhado de conflitos de interesses, funcionando como um verdadeiro “cala boca” em quase todos os setores da vida da cidade.
Mas o que choca é que, paralelamente a esse triste desarranjo, o gestor de todo esse processo posta-se incansavelmente em busca de dinheiro em todos os cantos: verbas públicas, doações por quem imagina estar tudo correndo bem, visitantes a uma vitrine cuidadora de câncer, leilões de gado, cantores do meio country, etc.
Nesse detalhe, existe um fato interessante: um grupo de artistas mais antigos já não se deixa mais enganar, o que não acontece com grupo de novatos levados por um marketing “encantador”.
A uma entrevista em programa famoso de TV, para quem conhece bem, chega a nível do ridículo ao pretender dar qualidade no trabalho como de expressão mundial, sabendo-se da tristeza do que acontece em nossa Santa Casa de Barretos.
Conquistar o recurso financeiro não é “pecado mortal”. Mas, assistir a volúpia na busca do dinheiro diante da insensibilidade e frieza em submeter o cidadão mais carente desprovido do que é melhor e, ainda, sucumbir por doenças elementares, acaba por tornar-se um “pecado capital” e inaceitável.
O balanço da situação é simples. Oferece-se o tratamento elementar para câncer que, no Brasil, tem mortalidade de 13 %. Repetindo: tratamento elementar e não um dos melhores da América Latina.
Doutra parte, em doenças não cancerosas, responsáveis por 87% da mortalidade geral, oferece (ou impõe) qualidade rasante, em mãos de aprendizes, significando isso o padrão de hoje da Santa Casa e da UPA de Barretos.
E o que é grave: dinheiro “a rodo” de origem pública (oficial, doações e loteria) sem transparência de uso e, certamente, incoerente com os péssimos resultados de atendimento à população mais pobre.
De novo o assunto? Sim. Porque o problema continua.

 

 

Dr. Fauze José Daher
Gastro-cirurgião e
Ex Diretor Clínico da
Santa Casa de Barretos
Ex Presidente da Assoc.
Paulista de Medicina – Reg.
de Barretos e Advogado

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