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segunda-feira, 20 de maio de 2024

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Gato quieto é sinal de alerta

Diante da dor, cães e gatos têm comportamentos distintos. Os cachorros se movimentam, ainda que de forma precária. Já os felinos adotam a lei do menor esforço, como se pensassem “se está doendo, para que vou me mexer?”. Assim, eles encurtam seu movimento, evitam subir em estruturas mais altas e, de maneira geral, ficam mais quietos.

A doença articular degenerativa (DAD) também é denominada osteoartrite e popularmente conhecida como artrose. Embora esteja mais presente em animais idosos, estimativas dão conta de que 90% dos animais com mais de 12 anos possuem o problema e que felinos jovens também podem sofrer da enfermidade.

A artrose é o desgaste das cartilagens nas articulações, que tem como principal sintoma a dor crônica, provocando grande sofrimento. Nos felinos, as áreas mais atingidas são ombros, joelhos, cotovelos, quadris, a parte posterior das costas e os cotovelos, que equivalem aos calcanhares em humanos.

A DAD é a doença crônica mais prevalente entre os gatos, mas nem todos os tutores conseguem perceber seus sinais, o que atrasa o início do tratamento, e quando o tutor percebe a enfermidade, ela está avançada.

Em contrapartida, um tutor bem-educado a respeito das características de seu pet, comportamento, hábitos e doenças mais comuns é capaz de identificar sinais precoces dessa e de outras enfermidades, e poupar seu companheiro de sofrimento desnecessário. Essa é uma das razões que motivam a minha militância na área de educação em dor.

O diagnóstico no gato é uma soma das manifestações clínicas, dos achados no animal e da observação do tutor. Sem o tutor, não conseguimos chegar ao diagnóstico antecipado.

A literatura veterinária não apresenta de forma clara o que pode ser feito para evitar ou retardar o surgimento da osteoartrite, porém é sabido que certos hábitos podem antecipar ou agravar a doença.

Embora não haja estudos que comprovem a relação entre sobrepeso e dor nas articulações dos gatos, é recomendável evitar o ganho de peso.

A casa também deve estar adaptada para os gatos: é preciso ter na parede uma série de objetos para eles escalarem, a comida deve estar em um ponto mais difícil para estimular o movimento.

 Rodrigo Mencalha, médico-veterinário, especialista em dor e professor

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