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quarta-feira, 22 de maio de 2024

Artigos

Fora da videira, o galho seca e nada mais produz

O anúncio da partida de Jesus, com seu discurso de despedida, causou assombro e medo nos discípulos. Quando tudo parecia o fim, Jesus indicou a consolação para todos os que creem: a comunhão profunda e real com ele.

O ramo unido à videira sugere a adesão dos discípulos a Jesus Cristo. Com base nessa unidade, é possível viver uma vida fecunda: “assim também vós não podereis dar fruto se não permanecerdes em mim” (v. 4). A imagem da videira foi, muitas vezes, usada pelos profetas para descrever o povo de Israel, que, ao quebrar a aliança com Deus, se tornava estéril (cf. Is 5). Romper com o amor de Deus é romper com a fecundidade! Jesus se apresenta como “a verdadeira videira” (v. 5) que permanece sempre unido ao Pai e, por isso, realiza muitos frutos.

Produzir frutos é tornar a vida capaz de gerar mais vida! Uma das primeiras formas de realizar essa vocação é viver em comunhão com os outros e com toda a casa comum, abrindo-se para as relações e os vínculos. Todo ramo, ligado à videira, depende dos outros ramos para produzir frutos. A comunhão sugerida por Jesus encontra sentido no amor: não é possível dar frutos fora do amor. O fruto vem do amor e é o amor!

O Evangelho constitui uma escola para aprendermos a amar em meio às nossas contradições. A seiva do amor, tal como a seiva da videira, já pulsa no nosso interior. É preciso deixá-la fluir, crescer, rompendo com todo impulso de isolamento. Dispormo-nos a “permanecer” em Jesus significa, com a ajuda do Espírito Santo, assumir um estilo de vida de abertura e de reconstrução da nossa identidade, tal como viveu Paulo. “Permanecer” não é uma tarefa fácil; exige enfrentar-nos interiormente, significa aprender a renascer das contínuas “podas da videira”, sempre na direção do amor. Podar a videira não significa matá-la, mas abrir espaço para que mais vida, mais fecundidade, possa se realizar.

Deus está continuamente presente na nossa vida, qual seiva que ajuda a circular e gerar comunhão. É sua graça que sustenta a construção cotidiana do amor e abre canais para realizar nossa vocação de discípulos. Paulo experimentou, em meio às suas contradições, essa graça, que o convidava a dar o salto para a vida nova, a vida maior! Graça à qual João sugeriu responder por meio do amor, com palavras e obras de verdade.

Algumas questões pessoais, que também podem ser questões comunitárias, abrem um caminho de meditação: Como tenho frutificado minha vida? Como tenho amadurecido e me tornado aquilo que, de verdade, sou? Quais conversões são necessárias? Como vivo minhas relações? Qual é a fonte da comunhão que vivo? De que seiva tenho me nutrido? (Vida Pastoral n. 356, Paulus)

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