Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Foi-nos dado ser vasos da misericórdia de Deus

Pelo insondável mistério divino, foi concedido a nóssermos portadores daquilo que Deus tem de mais precioso: o seu imenso, infinito e incondicional amor. Não é por merecimento, por reconhecimento ou prêmio, mas puro dom. Deus que na sua delicadeza de Pai – delicadeza materna diria – nos preenche de Si mesmo.
Não somos vasos para guardar ou conservar o amor de Deus apenas, mas para transbordá-lo por onde passarmos. Deus, à medida que nos abrimos e nos permitimos, cumula-nos dessa honra. Diante disso, somos sempre chamados a revisitar os ambientes de nosso coração e eliminar tudo que possa ocupar os espaços e impedir que esse amor seja sempre mais pleno em nosso interior.
Todas as vezes que colocamos para fora de nós o ódio, o rancor, a inveja, a mentira, a fofoca, a maledicência, o pessimismo, entre outros, possibilitamos que o amor de Deus cresça sempre mais e, consequentemente, transpareça em nossas ações, isso significa ser cristão no conceito mais genuíno da palavra.
É de São Cesário de Arles, um bispo católico do século VI, a frase “foi-nos dado ser vasos da sua misericórdia”, num sermão sobre a dignidade do batismo que nos faz templos de Deus. Ser templo de Deus é um dos maiores mistérios da nossa fé. Imagine você que, sob as paredes deterioradas do nosso coração, habita o mais perfeito e absoluto Ser, o criador de tudo e de todos; se nos detivéssemos a isso, certamente nos olharíamos com outros olhos, nos respeitaríamos e nos amaríamos mais.
Além disso, convém reconhecer que, da mesma forma, habita Deus no próximo, inclusive e, sobretudo, naquele que, aos olhos da nossa lógica humana e cultural, parece ser menos digno de honra e respeito.Paradoxalmente, são nesses que Deus se faz mais pleno, como nos atestam as Sagradas Escrituras. Numa palavra, significa dizer que, se Deus habita em mim e no meu irmão devo amar a mim a ao próximo de igual maneira e permitir que Ele seja reconhecido e louvado nas minhas ações.
“Glorificai o Senhor com a vossa vida” é uma das antífonas de despedida ao término da Santa Missa e nos convida a tomar consciência de que o culto de louvor à Deus não deve resumir-se às práticas meramente exteriores, e algumas vezes superficiais, mas reconhecer que o “culto agradável a Deus é fazer oferta do próprio coração”, como na passagem que diz: “Quero misericórdia e não o sacrifício” (Os 6, 6).
Sejamos vasos do amor de Deus, sempre cheios e transbordantes; cuidemos para que ele não se esvazie ou se encha apenas de nosso egoísmo, ganância ou auto referencialidade. É com a oração diária, a meditação da Palavra, a vida de comunidade que vamos sempre abastecer os vasos do nosso coração a ponto de transbordar na nossa vida. Que belo seria o mundo se tanto mais fossem os corações cheios de Deus! Sonhemos com este mundo, façamos a nossa parte e veremos o Reino de Deus acontecer na simplicidade que lhe é própria.
Pe. Fernando Felix Rabelo
Administrador da Quase Paróquia São Judas Tadeu e Santo Expedito

Compartilhe: