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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Artigos

Finados . . .

Caros leitores,
Hoje é finados . . . é dia de celebração aos mortos e respeito às suas memórias. Uma data de reflexão e um preito de saudades eternas a todos os entes queridos, com orações em intenções às suas almas, pois deixaram a vida e partiram para a eternidade.
Quando visito o cemitério, penso, quantas histórias estão sepultadas ali? São personagens que fizeram a história da cidade até o mais humilde morador. São muitas histórias de vida, umas alegres, outras tristes e, em variadas ‘causa mortis’. Alguns possuem jazigos monumentais, verdadeiras obras de arte; outros são sepultados em túmulos simples ou em covas abertas na terra, sem nenhuma benfeitoria.
Nesta data, o movimento nos cemitérios é intenso, as pessoas têm o costume de levar flores e velas para depositar nas lápides em memória dos que se foram. Cumprindo rituais tradicionais, fazem orações nos túmulos de familiares e amigos, que são pessoas inesquecíveis.
Na história de Barretos, os dois primeiros cemitérios foram instalados, ainda, no século XIX. O primeiro, nos primórdios de nossa cidade, localizava-se lá pelos lados do São Domingos, próximo onde hoje se encontra o Almoxarifado Municipal. Lá foram enterrados os primeiros moradores do ‘Arraial dos Barreto’, inclusive Francisco Barreto e sua esposa Ana Rosa; o segundo, instalou-se na década de 1870, no centro, junto à Capela do Divino Espírito Santo, ocupando uma área, onde hoje se encontram as avenidas 19 e 21 e ruas 18, 20 e 22.
No entanto, no final daquele século a cidade ganhou um novo e definitivo campo santo: o Cemitério da Paz, que é gerido pelo poder público, no alto da avenida 21, em lugar ermo e longe do centro, à época. A primeira pessoa a ser sepultada no local foi o presidente da Câmara Municipal, sr. Antonio da Cunha Vasconcelos, no dia 7 de dezembro de 1899, três semanas antes da inauguração oficial do mesmo, que ocorreu a 1º de janeiro de 1900. Lá, os túmulos são tradicionais, verdadeiros monumentos artísticos e luxuosos, com peças de bronze e mármore de carrara e os mais recentes de granito ou de cerâmica. No entanto, de lá para cá, sepulturas e mais sepulturas foram abertas. Hoje, apesar das ampliações feitas ao longo do tempo, a área não comporta mais sepultamentos em novos túmulos e sem condições de expansão territorial; já na década de 1990, foi construído o Cemitério Jardim das Oliveiras, empreendimento particular, no Bairro Minerva. Nessa necrópole as campas são simples, com lápides apenas com identificação do falecido.
Na minha infância, nos anos de 1960, presenciei vários velórios e acompanhei vários cortejos até ao cemitério. Naquela época, era costume velar o morto, em sua própria casa, na sala, junto de sua família e dos amigos. A funerária fornecia cadeiras para acomodar a todos, preparava o cafezinho e também o lanche para que o pessoal atravessasse a madrugada. As ‘notas de falecimentos’, que hoje são propagadas através da internet, eram veiculadas através das emissoras de rádio locais, e, em cidades menores, no serviço de ‘alto falante’. Quanto ao cortejo fúnebre, uma verdadeira procissão, com acompanhamento de parentes e amigos, que percorria as ruas e avenidas da cidade, passava pela Igreja, para encomenda da alma, depois seguia pela avenida 21 rumo ao cemitério. Em sinal de respeito, à medida que o cortejo passava, as casas comerciais tinham o hábito de baixar as portas até ao meio; as pessoas paravam e os homens tiravam seus chapéus.
Quanto ao luto, seguia-se um período para os membros da família, enquanto que mulheres usavam luto fechado, ou seja, se vestiam de preto durante um bom tempo, os homens usavam uma tarja de pano preto na manga da camisa ou na lapela do paletó.
Enfim, o ‘Dia de Finados’, traz as lembranças das pessoas queridas. Em 8 de outubro de 2012, tive a tristeza de perder a minha filha Izadora, uma menina de apenas treze anos, e que lamento ter partido tão cedo. Sua lembrança me toca o coração!
Saudades eternas . . .

 

 

José Antonio Merenda
Escritor, historiador e membro da
ABC – Academia Barretense de
Cultura – Cadeira nº 29

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