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domingo, 25 de janeiro de 2015

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FÉRIAS DE VERÃO

Bom Dia Barretos. A fim de curtir minha netinha, tirei dez dias de férias, e a levei à praia. Tínhamos por teto, um céu azul dourado pelos raios solares matinais e salpicado de estrelas ao anoitecer. Por piso, as brancas e ardentes areias do Guarujá. 
Os olhos captavam no horizonte um lugar misterioso, onde águas e firmamento se irmanavam transformando as merecidas férias de verão, na praia de Pitangueiras, mais que simples férias, na oportunidade de desfrutar daquele quadro, que só o Criador seria capaz de nos oferecer. Embevecido, permanecia por longos períodos a admirar as ondas do mar que delicadamente vinham acariciar e beijar as areias da orla marinha, num eterno idílio entre mar e terra, deixando como que a selar o compromisso de amor eterno, um rendilhado branco espumoso que fazia lembrar um aglomerado de véus de noivas felizes chegando ao altar. Não me contive em apenas admirar aquele quadro que o artista divino nos oferecia e fui ao seu encontro. Ao me atrever entrar naquela imensidão das águas do Atlântico, fui surpreendido pelas caricias, e pensei: valeu a pena. 
Ao cair da noite, mas com o dia ainda claro, graças ao horário de verão, meus olhos acompanhavam, ao largo, embarcações singrando aquelas águas em busca do porto de Santos. Com certeza levava ou trazia turistas, acompanhados de seus sonhos, saudades, esperanças e por que não, algumas decepções. Num determinado momento meus olhos se fixaram numa embarcação, que me parecia ser um transatlântico, enquanto a mesma alheia as minhas confabulações continuava suavemente a deslizar sobre as águas em busca de seu destino final.
Ainda pensando na alegria que estaria permeando entre os passageiros que desfrutavam daquele tour marítimo, como que por encanto, num quase salto mortal, meu pensamento voou ate a visão dos navios negreiros que traziam da África, para serem vendidos como escravos no Brasil, entre outros reis e senhores tribais, aferrados em seus porões, com os corações despedaçados pela desgraça que sobre suas cabeças havia abatido. Ali não viajavam sonhos nem esperanças, mas sim, muita angústia, sofrimento, tristeza e zambo, por não vislumbrarem qualquer perspectiva de retorno a uma vida digna. 
Como a vida é cheia de suspense, pensava eu enquanto a noite continuava a avançar, trazendo uma leve brisa a mitigar o calor quase que insuportável daquele dia. Mas meu pensamento continuava a navegar. Agora não mais no transatlântico de luxo, nem no navio negreiro, mas fixou-se num transatlântico aportado na Praça São Benedito, recebendo diariamente centenas de pessoas. Umas esperançosas em busca de atenuar ou eliminar seus males, outras querendo cuidar de sua saúde preventivamente antecipando-se às enfermidades. Também lá esperança, medo, angustia, sofrimento e alegria convivem, cruzando pelos corredores ou nas orações, diante do pequeno altar de São Jorge. Não me contive, mais uma vez liguei para Barretos, e tive a confirmação que aquele transatlântico levava ao lado da competência uma carga extra de dedicação e amor aos pacientes, razão pela qual tudo corria a contento.
Pude então retornar a desfrutar de minhas férias, não sem antes elevar os olhos aos céus agradecer a DEUS pela minha caminhada na vida terrena e pelo paraíso que para nós Ele criou.
 
BOM DIA BARRETOS. 

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