sábado, 28 de novembro de 2020

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Fechar portas para debate eleitoral na TV: forte indício de conflito de interesse

Se há uma atividade de televisão que chama audiência é o debate eleitoral. Isso em qualquer país civilizado e democrático no mundo todo.
Esse caso de desmarcar, protelar subitamente o debate em Barretos ficou muito estranho e indicativo de grave conflito de interesse. Por que?
Há pelo menos 28 anos, tem sido uma prática constante em todas as eleições em Barretos, o debate entre os candidatos. Digo essa “idade” por uma questão concreta que me atingiu diretamente.
Fui candidato em 1.992 e a uma semana das eleições, acabei sendo vencido pelo colega Dr. Nelson James que, reconheceu, jamais conseguiria se eleger não houvesse a TV como ferramenta eleitoral. Eu tinha 44 por cento dos votos (Nelson 7%) e só perderia se alguém pudesse convencer aos eleitores em cima de uma proposta rapidamente transmitida. Fosse verdadeira ou enganosa…
Fato é que, tivemos uma eleição meteórica, em que o candidato aqui apareceu, trabalhou, venceu, governou e desapareceu após seu mandato, em administração que não é o caso comentar. Nunca lamentei a existência da TV como causa de um prejuízo pessoal, qual tenha sido a perda de uma eleição a prefeito. Até porque ela (TV) é de natureza EDUCATIVA, DE INTERESSE PÚBLICO, tendo sido sempre um veículo de boa audiência, pelo menos antigamente, com função comunitária, pública, inegável, acima de tudo.
Ainda que fosse privada, poderia dar-se ao luxo de fazer ou não o debate. Porém, em quase 30 anos, nunca deixou de fazê-lo e fica claramente estranho o seu recuo em proceder o debate, descumprindo uma função pública que é uma CONCESSÃO dada pelo Governo Federal.
O que fica discutível e desconfiável é que exista conflito de interesse como pano de fundo, a favorecer determinado candidato que foge do dever cívico de um programa que visa esclarecer a população, a qual é a verdadeira “dona” do canal educativo, pela própria legislação e pela missão que carrega.
Diante disso, é importante o eleitor procurar saber qual ou quais candidatos estão por trás dessa decisão e da responsabilidade dos gestores do canal. Objetivamente, é natural e de direito levantar a tese de conflito de interesse no pleito eleitoral, que tem a necessidade de ser limpo, livre e isento de influências.
Nessa altura pergunta-se: há ligação da direção da TV com algum candidato ou candidatura? Caso haja, é peremptório que a Justiça Eleitoral atue e que os partidos interessados (parece que quase todos) possam esclarecer ao eleitorado quanto ao risco do uso (ou não uso) da máquina pública já na campanha eleitoral. Que se dirá após uma eleição alcançada?
Seria o caso de uma nova intervenção nessa TV que, diga-se, está sob intervenção?
São lamentáveis tais episódios: num dia publicação de pesquisa com dados falseados…noutro, estranha suspensão do debate em TV de natureza pública. É até possível que determinado candidato não queira ir ao debate. Porém, cancelá-lo para atender pleito de um ou de outro? Aí, não.
Barretos não merece essa postura, que o Brasil procura a todo momento banir pela vicissitude que encerra. Cabe ao cidadão barretense fazer exercer o mínimo de raciocínio para se aperceber das coisas.
Nessa altura, parece que a “coisa não pegou”: vai haver o debate. Sempre poderá ser tempo…

Dr. Fauze José Daher
Médico – ex Vereador
Advogado

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