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Fatores que influenciam empreendedores bem sucedidos
Nas pesquisas, verificou-se que os empresários de sucesso são influenciados por empreendedores do seu círculo de relações (família, amigos) ou por líderes ou figuras importantes, tomados como “modelos”. Esta admiração nos remete ainda a algumas perguntas, as mesmas que os grandes pesquisadores desta área se fazem:
• Como alguém se torna empreendedor?
• O empreendedor nasce pronto? Ou seja, é fruto de características genéticas?
• É possível se ensinar alguém a ser empreendedor?
O empreendedorismo não é ainda uma ciência, apesar de ser uma das áreas onde mais se pesquisa e se publica. Isso quer dizer que ainda não existem paradigmas, padrões que possam, por exemplo, nos garantir que, a partir de certas circunstâncias, haverá um empreendedor de sucesso. Mas muita coisa pode ser dita sobre o empreendedor. Vamos lá: Todos os pesquisadores acreditam ser possível a alguém se tornar um empreendedor. Mas a metodologia de ensino deve ser diferente daquela tradicional, que vemos nos cursos primários até a universidade. Sabe-se que o empreendedorismo é um fenômeno cultural, ou seja, é fruto dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Existem famílias mais empreendedoras do que outras, assim como cidades, regiões, países. Na verdade aprende-se a ser empreendedor através da convivência com outros empreendedores, em um clima em que ser dono do próprio nariz, ter um negócio é considerado como algo muito positivo. Pesquisas indicam que as famílias de empreendedores têm maior chance de gerar novos empreendedores e que os empreendedores de sucesso quase sempre têm um modelo, alguém a quem admiram e imitam. (FILIO, 1991).
Consideremos agora três níveis de relações, o primário, o secundário e o terciário, no esquema baixo:
• Primário: familiares e conhecidos; ligações em torno de mais de uma atividade.
• Secundário: ligações em torno de determinada atividade; redes de ligações.
• Terciário: cursos, livros, viagens, feiras e congressos.
Pode-se dizer que o nível primário é a principal fonte de formação de empreendedores. Mas, os níveis secundário e terciário podem também ser importante na geração de empreendedores. Um dos pontos básicos do ensino de empreendedorismo é fazer com que o aluno busque estabelecer relações que dêem suporte ao seu negócio. Assim, a convivência é muito importante nessa área. Existe um ditado no empreendedorismo que reza: “dizei-me com quem andas que te direi quem queres ser”. Se há, portanto, empreendedores que nascem prontos, não é por razões genéticas, mas sim porque o primário de relações os influenciou. Há poucas décadas dizia-se o mesmo em relação a administradores, gerentes: “fulano tem o dom para administrar, cicrano nasceu assim, beltrano jamais saberá gerenciar”. Hoje ninguém duvida que alguém possa aprender a ser administrador. Os empreendedores podem ser voluntários (que têm motivação para empreender) ou involuntários (que são forçados a empreender por motivos alheios à sua vontade: desempregados, imigrantes etc.). Timmons, (1994) acredita que “o empreendedorismo é umas revoluções silenciosas, que será para o século 21 mais do que a revolução industrial foi para o século 20”. (Dolabela, 1999, Segredo de Luisa, 14. edição, p. 37). Empreendedor é um ser social, produto do meio que habita (época e lugar). Se uma pessoa vive em um ambiente em que ser empreendedor é visto como algo positivo, então terá motivação para criar o seu próprio negócio. É fenômeno regional, ou seja, existem cidades, regiões, países mais – ou menos – empreendedores do que outros. O perfil do empreendedor (fatores do comportamento e atitudes que contribuem para o sucesso) pode variar de lugar para lugar. Presume-se que, se uma pessoa tem características e aptidões mais comumente encontradas em empreendedores de sucesso, terá ela melhores condições para empreender. Como se sabe, são as características comportamentais básicas pelas quais o candidato a empreendedor deve se pautar. Por outro lado, sem tais características, a pessoa terá dificuldades em obter sucesso. No estágio atual de conhecimento sobre empreendedorismo, sabe-se como ajudar os empreendedores em potencial e os empreendedores de fato a identificar as características que devem ser aperfeiçoadas para obterem sucesso. A tese de que o empreendedor é fruto de herança genética não encontra mais seguidores nos meios científicos. Assim, é possível que as pessoas aprendam a ser empreendedores, mas dentro de um sistema de aprendizagem especial, bastante diferente do ensino tradicional. O que ainda não se pode fazer no estágio atual de conhecimento na área de empreendedorismo:
• Determinar com certeza se uma pessoa vai ou não ser bem sucedida como empreendedora;
• Garantir que as pessoas possuidoras das características essenciais ao empreendedor terão sucesso.
André Luiz Bastos: Licenciado em Educação Física UNESP Bauru, Licenciado em Filosofia pela Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina, Mestre em Educação pela UNFRAN – Franca SP, Doutor em Ciências da Educação pela UNCUYO – Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina e Pós-Doutorado pela UNTREF – Universidade Tres Febrero Buenos Aires– Argentina. Coordenador do NAD – Núcleo de Apoio ao Docente. Professor nos cursos da Faculdade Barretos. prof.andrebastos@hotmail.com