Artigos
FAMÍLIA: TEMA DO PAPA NO SÍNODO
No próximo mês de outubro, o papa Francisco irá promover no Vaticano um sínodo de bispos para debater a questão da família no mundo de hoje. Um evento muito aguardado em seu pontificado, porque poderão sair propostas e decisões, e muitos não sabem ainda que resultados virão desse importante encontro. O fato é que realmente o tema da família precisa ser discutido, principalmente por causa dos grandes desafios da atualidade, e dos diversos obstáculos que existem hoje para viver a realidade da família como solicita o ensinamento da Igreja. Muitos dizem que o mundo mudou, e os costumes atuais precisam se adaptar aos novos tempos. Com isso justificam relativizar muito daquilo que a Igreja sempre defendeu ao longo da história, contido na sua doutrina. Mesmo assim, a Igreja sabe que o que ela defende é permanente, e tem princípios e valores que são imutáveis, para o bem da própria pessoa humana. As restrições morais que a Igreja, muitas vezes, apresenta, visam ao bem do ser humano.
A Igreja sabe do valor da família, constituída no sacramento cristão do matrimônio entre um homem e uma mulher, e que o casal deve estar aberto à fecundidade. Exorta à fidelidade, que os filhos obedeçam e amem os pais, reconhece também a prerrogativa dos pais em educar os filhos, etc., Tudo isso defende a Igreja, com sabedoria, pois é “perita em humanidade”. Obviamente que não se podem ignorar os aspectos democratizadores nas relações familiares. Entretanto, não se pode transigir com a inversão de valores e nem com a omissão de certos pais que pensam mais em si próprios que nos próprios filhos e transformam a vida familiar numa perfeita anarquia. Quando o papa Paulo VI, por exemplo, foi pressionado a abrandar a moral católica na encíclica Humana Vitae, ele não cedeu e se manteve fiel á doutrina moral da Igreja, no campo familiar. Mesmo assim, a pressão continuou pelas décadas seguintes, até hoje, quando os meios de comunicação passaram a atuar na divulgação, a todo instante, daquilo que o papa João Paulo, hoje santo, chamou de cultura da morte, dizendo inclusive, na encíclica Evangelium Vitae, haver um embate entre a cultura da morte x cultura da vida. A família vem sendo desprestigiada, em vários aspectos, vulnerável aos elementos desta cultura da morte, enfraquecendo-a cada vez mais.
Para que haja uma efetiva cultura da vida é preciso fortalecer a família. Por isso, o Sínodo dos Bispos, no Vaticano, será importante, para que os bispos e cardeais encontrem respostas para os desafios que estão aí à nossa volta, causando perplexidade para tantos. Devemos rezar para que o Sínodo faça as reflexões adequadas, a partir das situações dos dias atuais, e que ajudem o papa Francisco a tomar decisões que nos levem a compreender o que está acontecendo e o que fazer para manter os ensinamentos da Igreja com a realidade de hoje.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.