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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Faculdade de Medicina e Hospital Escola de verdade: quando é que são?

É importante ao cidadão saber quando um hospital escola de medicina verdadeiramente cumpre o seu papel educativo e social.
O principal objetivo de ambos é, em primeiríssimo lugar, garantir ao paciente servido qualidade máxima do que Medicina pode fazer por um cidadão atendido. Não esquecer que o paciente cede seu corpo e mente “vocacionados” a doar a possibilidade de um futuro médico ter o domínio correto sobre um diagnóstico e uma conduta clínica ou cirúrgica.
Mas, para isso, o cidadão merece receber o melhor tratamento possível e disponível pela ciência médica, num mínimo de contrapartida ética e de retribuição da dignidade.
Um hospital escola que vai ensinar mais de 40 especialidades precisa ter, para cada uma delas: um catedrático (Professor/Doutor), Mestres assistentes, Preceptores, Tutores que terão que estar lado a lado, com Residentes (aprendizes) e alunos, no tratamento e condução de cada caso. Doutores em cada assunto e, no mínimo, Mestres como pós-graduados.
Pode se calcular por aí, que um corpo docente de mais de 200 gabaritados profissionais têm que estar decidindo a saúde do paciente, além do fluxo de conhecimento teórico e prático dirigido aos profissionais aprendizes.
Há hoje espalhadas verdadeiras “aratacas” expedidoras de diplomas, a um custo caríssimo, SEM CUMPRIR O REQUISITO MAIS CUSTOSO do ensino que é oferecer um Corpo Docente verdadeiro, para não submeter o cidadão a um tratamento precário e o estudante à ilusão de estar aprendendo e, de fato, não estar.
Indo ao ponto, sem evasivas. A nossa Santa Casa de Barretos, tomada abruptamente pelo dono de uma faculdade de medicina local, está muito distante do cumprimento desses requisitos.
É de conhecimento geral e por quem consegue entrar no hospital e acompanhar os tratamentos, que as decisões correm por conta de profissionais em fase de aprendizagem, sem retaguarda típica de um hospital universitário. Isso é “inescondível”…Aliás, é notória a restrição de ingresso no interior do hospital, para parentes, médicos e amigos nem que seja para visitarem um paciente internado.
Passa-se a impressão de intenção de dificultar conhecer uma realidade que não agrada.
O papel tradicional (da Santa Casa) de tratar bem aos pacientes, desaparecido há 5 anos, desde a “posse” do gestor e dono da faculdade de medicina, ficou regredido a 70 anos atrás, com dois problemas nos dias de hoje: atende mal com péssimos resultados e o ensino é precário e distante do que acontece num hospital universitário.
Essa é uma visão crítica do que realmente aí existe.
Uma vez criticando, é dever de ofício propor uma solução.
Vamos lá…o Sr. Henrique Prata que é empreendedor e dos maiores captadores de recursos (de toda ordem) tem capacidade de construir um Hospital Universitário para sua faculdade de medicina, da noite para o dia.
Importante: que, além disso, contrate um Corpo Docente de alto nível, que possa atrair clientela pela qualidade do atendimento e daí, sim, fazer valer o papel social que uma boa faculdade de medicina agrega à sociedade. Se isso é caro, certamente está dentro do orçamento da fortuna que os alunos de medicina carreiam para a faculdade. Aliás, são formados em torno de 90 médicos por ano.
Que a Prefeita retome a Santa Casa, que é do povo de Barretos, refazendo a missão centenária de cuidar da saúde do barretense. Ela sabe que pode licitar uma administração séria, ao nível de Einstein ou Sírio Libanês, e fazer o hospital cumprir o seu papel de hospital público de alto nível. Não são poucas as empresas interessadas em assumir hospitais, nacionais e internacionais, circulando hoje no mercado brasileiro.
Por fim, valhamo-nos do ditado: “Muitas pessoas podem ser enganadas por pouco tempo; poucas pessoas, por muito tempo; mas, não serão enganadas pela vida toda.” Comando de uma cidade não pode continuar fazendo vistas grossas a essa gravidade, com o poder de mando que tem e como se nada estivesse acontecendo.
No ponto em que está, o que acontece? Hospital de graça, Corpo Docente desconhecido, a pobre população SUS servindo como “massa ou bonecos de ensino” e sofrendo um nível de medicina abaixo da crítica. Não é o que o povo merece.

 

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Cirurgião – Ex Diretor
Clínico da Santa Casa
Ex Presidente da Assoc. Paulista
de Medicina – Regional de
Barretos e Ex Vereador.

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