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Faça falta quando estiver ausente
E se você não existisse que falta faria? Eu sempre digo que se eu não existisse eu quero fazer falta, eu quero fazer falta esse é o meu legado, eu quero que no dia que eu me for, que se diga assim “poxa, o Cortella faz falta, podia tá aqui com a gente nessa situação, nessa circunstância” como professor, como o pai, como marido, como cidadão, como profissional, como amigo.
Então esse é o sentido, o Mário Quintana mandou escrever no túmulo dele “eu não estou aqui”, eu cito isso no livro “Viver em paz para morrer em paz”. Uma pessoa admirável que eu tenho admiração imensa é Chico Xavier, ele morreu em 2002, alguém que passou a vida lidando com o maior dificuldade nossa, que é a morte, e o fez de forma é partilhante, e ganhou a possibilidade de fazer falta, Chico Xavier faz falta, Mário Quintana faz falta.
Você pode ser notado por aquilo que fez, e que espalhou vida, protegeu afetos, impediu desertificações das capacidades e pode ser notado por algumas pessoas que estão à tua volta. Eu tenho dentro de atividades e profissões, pessoas que estão na minha memória e que são inesquecíveis.
A gente precisa lembrar que no universo antes de eu ser, nada existia como eu, e quando eu deixar de ser, nada o será. Isso significa que eu sou único. Uma das formas do arranjo da vida neste universo: sou eu. Portanto a vida se arranjou de um modo único, agora eu sou único, mas eu não sou O único, não há ninguém como eu, não houve e não haverá, mas não sou SÓ eu que SOU, há outros “eus”.
Isso significa que o meu propósito maior nesse universo, em que se imaginaria que não há sentido aparente é a construção do sentido. Não há um propósito dado, a menos que seja no campo da fé religiosa, a menos que seja no campo do dogma, não há um propósito que aqui está e diz “vá faça isso!”. O que existe é a necessidade de você edificar, construir à este propósito, por isso meu propósito “eu quero que eu faça falta”, agora eu poderia fazê-lo sendo maldoso, malévolo, poderia fazê-lo de modo egoísta, eu não quero assim, eu quero ser BEM lembrado.
A ideia do Carpe diem (aproveite o momento) a frase do Horácio, quer dizer “não deixe de aproveitar o agora. Não viva só agora”. Agostinho de Hipona dizia “nós só vivemos o presente, só”. Só que há três tipos de presentes, o presente do passado (que chama memória) mas que tá com você agora, o presente do presente que é a percepção do imediato que é o que você tá vivenciando, e o presente do futuro que é a espera, a expectativa, também tá com você, mas você só vive o presente por isso não abrevie teu presente.
Mario Sergio Cortella, nascido em
Londrina/PR em 05/03/1954, filósofo
e escritor, com Mestrado e Doutorado
em Educação, professor-titular da PUC-SP,
na qual atuou por 35 anos. É autor de
diversos livros nas áreas de educação,
filosofia, teologia e motivação e carreira.