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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Artigos

Evangelii Gaudium

Ou, em português, Alegria do Evangelho, esse é o tema da primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco. O documento tem 220 páginas e é o mais longo documento de toda a história das encíclicas papais e das exortações apostólicas. Não deixa de ser curioso, pois com a exortação Evangelii Gaudium, o papa Francisco abandona o costume de ser breve. E, como diz o título, fala de evangelização e de alegria. 
Ouvido pela Zenit, Massimo Introvigne, sociólogo italiano autor de “O Segredo do Papa Francisco” e da teoria do “Efeito Francisco”, que este papa já teria trazido de volta à Igreja muitos fiéis afastados, acredita que a Igreja entra em uma fase nova de evangelização. Para ele haverá muitas leituras parciais, que focará em partes do documento, mas serão leituras erradas. O texto tem a sua própria arquitetura específica, que deve ser seguida. 
O documento é composto de cinco partes, através das quais: 1º) descobrimos que o cristianismo ou é missionário ou não é cristianismo, evangelizar os outros não é uma opção. Um cristão que fica em casa e não evangeliza não é cristão. 
2º) Encaramos os obstáculos à missão, dentro e fora da Igreja. O grande problemas é o relativismo, já denunciado por Bento XVI, é o primeiro obstáculo para a evangelização e difusor da superficialidade da moral. O relativismo faz mal tanto à sociedade quanto à Igreja, envolvendo sacerdotes e religiosos com a ‘mundanidade espiritual’ e com o desejo dos aplausos do mundo. 
3º) Estudamos os modos da nova evangelização. E faz uma longa análise da crise da homilia dominical nas nossas igrejas, utilizando palavras duríssimas (“falso profeta”, “charlatão”) ao sacerdote que não prepara bem o sermão, que não anuncia a verdade da Igreja e sim a sua própria, ou que se limita a imitar programas de televisão. 
4º) Examinamos as suas consequências, que não são opcionais, em termos de doutrina social. Este capítulo é dedicado à doutrina social, faz uma defesa da política como vocação altíssima contra um populismo irresponsável, meramente demagógico e que não resolve os verdadeiros e terríveis problemas dos pobres cada vez mais pobres. 
5º) Somos reconvocados à dimensão espiritual, que é a alma de todo apostolado. Trata das raízes espirituais, o aceno místico ao fato de que, se o nosso trabalho missionário não dá fruto, talvez Deus o use para reservar bênçãos a outro lugar do mundo aonde nunca iremos e que sequer conhecemos. 
O papa repete: todos devem evangelizar! Com este documento, que é verdadeiramente histórico, a Igreja passa para uma etapa que não se foca na administração dos fiéis que vão à missa, mas na capacidade de buscar e de converter aqueles que não vão à igreja. 
Uma Igreja focada no Evangelho é cheia de alegria e transmite alegria, beleza; é um lembrete importante para evangelizar através da arte, outro dos grandes temas de Bento XVI, e do amor. 
O documento pontifício tem atraído elogios e tornou-se um assunto de grande interesse, não só entre os católicos, em todo o mundo, como, por exemplo, na comunidade judaica norte-americana, já que a Exortação trata também de diálogo inter-religioso, em particular nas relações com o judaísmo. Enfim, todos devemos ler, já que está disponível no site do Vaticano. 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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