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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Artigos

Eu melhor que eu

O processo de desenvolvimento exige do ser humano que, no uso da consciência, liberdade e responsabilidade, assuma a existência como caminho de continuo crescimento e amadurecimento.
Sendo o humano um ser biopsicossocial-espiritual, faz-se necessário que as diversas dimensões que o constituem desenvolvam-se de forma harmônica, tenho em vista o mais possível equilíbrio.
Este processo exige que o grau de consciência acerca de si, assim como o grau de consciência em relação aquilo e aqueles que estão para fora de si, a alteridade, amplie-se cada vez mais.
Tal ampliação está relacionada ás possibilidades, contextos e oportunidades aos quais somos expostos, direta e indiretamente. A ampliação da consciência, para dentro e para fora, favorece que nosso universo se abra e que outros universos se abram a nós.
Consequentemente, desafia-nos o movimento de continuidade-descontinuidade, que consiste em sermos os mesmos, porém, diferentes, não no sentido de negar quem somos, tampouco, no sentido patológico cujo grau máximo é a despersonalização, mas no sentido de que, á medida em que nos temos nas mãos, referenciados por nossas qualidades, limites e imperfeições, somos mais senhores de nós, podendo, manter, mudar, acrescentar e extirpar o necessário.
Na condição de psicoterapeuta, tive a oportunidade de acompanhar alguém com a personalidade fortemente caracterizada por racionalização, perfeccionismo e impulsividade; certamente preparado, previsível e munido do melhor argumento, destacava-se dos demais. No entanto, estes mesmos traços o afastavam do convívio social necessário, por colocá-lo numa posição defensiva e de suposta superioridade.
Crescendo na autoconsciência, permitiu-se ser o mesmo, sem perder a identidade, mas, também, a aventurar-se, para melhor. Numa situação extrema, na qual a única solução parecia ser a dispensa de um colaborador, o que todos davam como certo, optou pelo caminho contrário á sua natureza: ouvir, rezar, refletir e compreender.
Resultado: superou-se a si mesmo! Fez os ajustes necessários sem perder um excelente colaborador que enfrentava graves problemas pessoais. A partilha foi rica, bela, suave e profunda. Cada vez mais, eu melhor que eu!

 

 

 

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado
em Psicologia

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