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“Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29,15)
Na próxima quarta-feira, dia 11 de fevereiro, quando a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora de Lourdes, realiza-se a XXIII Jornada Mundial dos Doentes. Para esta comemoração, o Papa Francisco envia uma mensagem dedicada especialmente aos enfermos e àqueles e àquelas que os assistem e cuidam.
Neste ano, o Papa Francisco inspira-se no versículo do livro de Jó: “Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo” (Jó 29,15), para falar da sabedoria do coração, “uma disposição infundida pelo Espírito Santo na mente e no coração de quem sabe abrir-se ao sofrimento dos irmãos e neles reconhece a imagem de Deus”.
Sábio na compreensão do Papa é aquele que serve o irmão, que dedica horas e tempo para “lavar, vestir e alimentar” os que, talvez, nem se quer lhes serão capazes de agradecer. Sábio é o que dedica gratuitamente o seu tempo para estar com os que sofrem oferecendo-lhe sua presença, sua companhia solícita, sua atenção amorosa.
Sábio são os que ainda hoje são capazes de sair ao encontro do sofredor, reconhecendo nele a presença do Mestre que proclamará no final dos tempos: “Estive doente e me visitastes” (Mt 25,….).
Sábio é o que é capaz de ser solidário com o outro, sem julgar. “A caridade – escreve o Papa Francisco – precisa de tempo. Tempo para cuidar dos doentes e tempo para visitá-los. Tempo para estar junto deles, como fizeram os amigos de Jó: “Ficaram sentados no chão, ao lado dele, sete dias e sete noites, sem lhe dizer palavra, pois viram que a sua dor era demasiado grande” (Jó 2, 13).
Mas, ao contrário dos amigos de Jó que pensavam que a infelicidade do amigo fosse o castigo de Deus por alguma falta cometida, “a verdadeira caridade é partilha que não julga, que não tem a pretensão de converter o outro; está livre daquela falsa humildade que, fundamentalmente, busca aprovação e se compraz com o bem realizado”.
As palavras de Jó encontram em Cristo o seu verdadeiro cumprimento. Ele, “Mestre e Senhor” não só compadeceu-se, mas tornou-se solidário com todos os que sofrem. Na sua Cruz contemplamos como é grande a sua dor, mas ao mesmo tempo, até onde chega o seu amor! Ele não sofre somente por nós, mas sofre conosco, toma para si as nossas enfermidades, oferecendo-nos a sua companhia constante.
Se há uma certeza consoladora é a de que junto de todos aqueles e aquelas que sofrem está Cristo, o divino companheiro, que tomou sobre os seus ombros a Cruz, e por isso é capaz de avaliar os sofrimentos.
Ao comemorar esta 23ª Jornada Mundial dos Enfermos, voltemos nosso olhar e nosso coração para os que sofrem. Nos nossos dias parecem que eles não existem; sua presença tornou-se incomoda e por isso permanecem no anonimato.
Neste dia, reconheçamos e valorizemos o trabalho dos profissionais de saúde que dedicam, quais bons samaritanos, suas energias e suas forças para curar e aliviar dos que sofrem.
Mas, neste dia também, consideremos até que ponto temos sido “olhos para os cegos e pés para os coxos”. Quantos são os que precisam de um pouco do nosso tempo e de nossa presença, de nosso serviço e de nosso amor.
Hoje, são os outros que precisam de nós; amanhã, certamente os lugares se inverterão e seremos nós a precisarmos do cuidado e da atenção dos outros. Oxalá cuidem de nós com a mesma pressa que hoje nos dedicamos a cuidar dos nossos irmãos. Amém.
+ Milton Kenan Junior
Bispo de Barretos
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