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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Artigos

Estratégias alimentares

Estamos em plena epidemia de obesidade. Contam-se aos milhões as mulheres e homens obesos, até em países pobres. Nos Estados Unidos e Canadá, três em cada quatro habitantes estão acima do peso saudável; no México e no Egito, cerca de 60%; no Brasil, metade da população.
Perder peso é tarefa inglória, porque a medicina tem pouco a oferecer, e porque a evolução selecionou entre nossos ancestrais aqueles dotados de organismos capazes de fazer bom uso de cada caloria ingerida. Quando nos esforçamos para emagrecer, o cérebro faz mil peripécias para que voltemos ao peso original.
Na coluna de hoje, vou resumir um trabalho conduzido em Israel, entre julho de 2005 e junho de 2007. Nesse período, 322 funcionários de um centro de pesquisas (277 homens e 45 mulheres) foram sorteados para adotar uma das três dietas:
1. Pobre em gorduras, com restrição calórica
Obediente às normas da Associação Americana de Cardiologia, limitou o consumo diário: 1.500 calorias para as mulheres; 1.800 calorias para os homens. A composição das refeições foi ajustada para que 30% das calorias viessem das gorduras, 10% das gorduras saturadas e o restante de vegetais, frutas, legumes e grãos de baixo conteúdo gorduroso.
2. Mediterrânea, com restrição calórica
Rica em vegetais, restringiu a ingestão aos mesmos limites calóricos da anterior (1.500 e 1800) e substituiu a carne vermelha por frangos e peixes. Permitiu consumir 30 a 45 gramas de óleo de oliva, e até cinco a sete nozes, amêndoas ou castanhas de caju por dia.
3. Pobre em carboidratos, sem qualquer restrição calórica
Baseada na dieta de Atkins, liberou os participantes para comer à vontade, desde que não ingerissem mais de 20 gramas de carboidratos nos primeiros dois meses; com aumento gradual até o máximo de 120 g, daí em diante.
Para fazer parte da pesquisa, era preciso ter idade entre 40 e 65 anos, índice de massa corpórea (IMC = peso dividido pela altura elevada ao quadrado) igual ou maior do que 27, ou ser portador de diabetes ou de doença coronariana, independentemente da idade e do IMC.
Os participantes tinham em média 52 anos. O IMC médio era igual a 31, valor que cai na faixa da obesidade.

 

Dr. Drauzio Varella

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