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sábado, 21 de novembro de 2015

Artigos

Estado Islâmico (EI ou ISIS)

Após os atentados em Paris que mataram, até o momento, 129 pessoas e deixaram centenas de feridos, o grupo radical islâmico EI assumiu toda a responsabilidade e disse que esse ataque é só o início da tempestade. Esse grupo radical foi criado a partir de um braço iraquiano da Al-Qaeda, passou a controlar áreas da Síria e do Iraque e restaurou a formação de um califado, onde as regras de vida são rígidas e baseadas na antiga lei islâmica chamada sharia.
Em seguida, vários grupos terroristas muçulmanos não aceitaram o califado e o próprio EI, se tornando seus inimigos. A principal receita do grupo vem da venda de petróleo, com uma receita aproximada de US$ 3 milhões por dia. Outra fonte de renda é a cobrança de impostos nas regiões em que controlam. Para os militantes do EI, todos que não seguem sua doutrina são seus inimigos, mesmo que sejam muçulmanos.
Desde julho de 2014, o EI vem publicando a revista Dabiq em várias línguas, onde mostra a guerra do estado islâmico como sendo a continuação de uma batalha medieval sagrada entre cristãos e muçulmanos, onde os “cruzados” modernos são os povos ocidentais. Em uma das edições da revista eles mostram a bandeira islâmica hasteada no Vaticano e deixam claro que Roma é um dos grandes inimigos.
Dentro de sua teologia existe o Final dos Tempos, da mesma forma que o Apocalipse cristão e a batalha final entre o Bem e o Mal, a ser travada em Dabiq, que é uma região ao norte da Síria, perto da fronteira com a Turquia. De acordo com a crença islâmica, tudo vai se concretizar a partir da invasão americana na Síria. Neste momento, de acordo com suas profecias, grande parte dos muçulmanos que hoje estão divididos e não apoiam o EI irão se juntar em um só exército para combater os “cruzados”.
Dentro dessa ótica o EI espera e quer essa invasão, pois aí terá a chance de se cumprir a profecia sobre a união dos muçulmanos ao seu novo califado. Serão poucos anos de batalhas dentro da Síria como nunca se viu e, no final, os muçulmanos sairão vitoriosos. Eles serão liderados por um Mahdi, um líder religioso que irá aparecer no início do conflito. Interessante que essa guerra santa do EI é contra o cristianismo ocidental e não contra Jesus, a quem respeitam e acreditam que será um futuro aliado do islamismo.
O ex-presidente xiita do Irã, Ahmadinejad, é um dos que acredita nessas profecias e está comprometido em preparar o caminho para esse Mahdi e colocar em suas mãos tudo o que estiver disponível, inclusive armamentos nucleares. O papa Francisco, após os atentados em Paris, disse com muito conhecimento que, diante dos fatos, será inevitável uma terceira guerra mundial e, infelizmente, o motivo será religioso. 
 
Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo. Saiba mais em www.facebook.com/celio.pezza 

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