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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Artigos

À espera das reformas

A equipe do Presidente Jair Messias Bolsonaro demonstra não entender muito de projeto. O INPE vem treinando há anos seus funcionários em cursos para capacitar os funcionários a fazer projetos e, atualmente, usa a prata da casa para isso. Talvez a Secretaria de Governo devesse “contratar” o INPE para um treinamento dos ministros e assessores.
O governo aposta na Reforma da Previdência… E só! Nem sequer acompanha adequadamente os deputados e senadores. Mais uma deficiência de projeto. Atacam os políticos aliados, a ideologia de gênero, discutem a liberação de armas, afrouxamento da lei de trânsito, etc. Esquecem da reforma política, educacional, econômica, de tributação, criação de empregos, etc.
A experiência no INPE ainda pode ser aproveitada em outras áreas. É possível criar um projeto para atenuar o desemprego persistente do nosso país, como faz o INPE que contrata especialistas desempregados, por uma bolsa, para desenvolver uma atividade importante. Não custa Lembrar também dos anos 1970, quando o governo federal contratava os nordestinos desempregados pela seca para trabalhar em projetos de açudes, eram as Frentes de Trabalho.
Atualmente, há 13 milhões de desempregados, número que assusta, mas não é real porque o se provedor fica desempregado, então sua mulher e filhos passam a procurar emprego. Se forem criados três milhões de empregos, o desemprego acaba, volta ao número normal, até 5%.
Da experiência do INPE, o governo poderia criar um programa para contratar pessoas capacitadas desempregadas para colaborar com os projetos do governo, como ajudar o Exército a construir estradas ou, a exemplo das Frentes, construir cisternas -a única solução viável para o Nordeste-. Esse programa poderia ser replicado para a iniciativa privada, por exemplo, contratando novos funcionários até 50% do total -para evitar a demissão-. Em resumo, pode-se empregar, pagando a metade ou menos, gente que atualmente pesa para a sociedade e que passará a produzir.
Um programa governamental de cem mil pessoas, sendo dez mil de nível superior, custaria menos de um bilhão por ano e produziriam riquezas direta e indiretamente para o país, melhorando a situação econômica e social. A adesão das empresas privadas tem potencial de empregar milhões. É algo que vale a pena o governo analisar.
Outro esforço que poderia render muitos empregos e movimentar a economia é o turismo informal. Observo há anos que estudantes visitam o INPE. E ainda, as escolas de minhas filhas sempre organizaram viagens a universidades, feiras e museus. Isso nunca foi classificado, mas é um turismo científico e tecnológico.
Vejo no INPE um Centro de Visitantes abandonado, sem receber visitantes. Imagino que isso ocorra por toda instituição. Se organizado e financiado, São José dos Campos, por exemplo, poderia ser um grande Polo de Turismo Tecnológico. E veja quantos cientistas e tecnologistas poderiam proporcionar palestras e cursos não somente para estudantes de Ensino Médio, mas também para universitários, políticos e militares. São pequenas ideias que podem movimentar significativamente a economia nacional.

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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