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quinta-feira, 23 de maio de 2024

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Esclerocardíacos do terceiro milênio

Há poucos dias o Papa Francisco utilizou esse termo – esclerocardia – para significar as pessoas que têm corações esclerosados como pedras. No evangelho deste sábado, lemos no capítulo 16, de Marcos, que Jesus ressuscitado, aparecendo aos onze discípulos, que estavam jantando, critica-os “por sua falta de fé e sua dureza de coração, por não terem acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado” (Mc 16,14).

Jesus tinha razão em ficar muito chateado com eles. Durante sua existência terrena, várias vezes os tinha avisado que iria ser torturado, morto e sepultado, mas que no terceiro dia iria ressuscitar. Nunca deram crédito a esses avisos, porque conheciam seus poderes e duvidavam que iria passar por isso. Ao contrário, na entrada triunfal em Jerusalém, viam nele aquele Rei que há mil anos esperavam, o verdadeiro Messias aguardado para restaurar toda a glória do Reino de Israel, expulsando todos os seus dominadores, por ser o povo escolhido pelo próprio Deus para ser a maior de todas as nações!

De fato, ficaram sabendo que seu Mestre, em quem tanto tinham confiado, fora posto no túmulo completamente desfigurado por todas as torturas que havia sofrido nas mãos dos soldados e na cruz. Para eles, isso foi o enorme fracasso de todos os seus sonhos de libertação. Isso ficou bem claro para aqueles dois discípulos caminhando para Emaús, muito desanimados e chorosos.

Jesus, ao amanhecer do primeiro dia da semana, saiu do túmulo, vivo de novo, e logicamente diferente por estar com seu próprio corpo físico-glorificado, limpo de feridas, mas com as cicatrizes dos cravos nas mãos, pés e no peito. Apareceu a Madalena, que foi às pressas anunciar esse fato surpreendente aos discípulos. Estes foram ao túmulo e o encontraram vazio. Continuaram duvidando, tanto de Madalena como dos dois discípulos que voltaram de Emaús contando a experiência que tinham acabado de ter, muito maravilhados e ao mesmo tempo assustados.

Foi aí que, na noite deste mesmo primeiro dia da semana – “o dia que o Senhor fez para nós” –, Jesus surgiu de repente diante dos discípulos, embora as portas estivessem trancadas, por medo, e estavam à mesa jantando. Foi nesse momento que Jesus lhes demonstrou sua chateação por serem tão “esclerocardíacos”: quanta falta de Fé nele!

Já entramos no terceiro milênio da era cristã. Mais um ano em que nos alegramos, exultantes, celebrando um Tempo Pascal, fazendo memória do fato fundamental de nossa Fé: a Ressurreição do Senhor. No entanto, com toda razão, o Papa lamenta tantos bilhões de pessoas que mantêm seus corações endurecidos como pedra, relutando em acreditar.

Mesmo assim, Jesus ordena: “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).

 

Por: Diácono Lombardi

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