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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

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Enfermagem em Barretos: o drama envolvendo stress, desrespeito ao devido salário, carga horária sofrível e a frieza do gestor do monopólio local

Essa semana foi marcada por fatos interessantes, cujas verdades doídas ficam escondidas enquanto falácias e falsas divulgações são nacionalmente jogadas ao ar visando a busca de mais dinheiro público, “carimbado” de governantes ou doados pela população em geral.
A enfermagem de Barretos que está submetida ao monopólio da Fundação Pio XII vem sofrendo severo stress, típico do chamado “bornout” castigado por imposição de carga horária de trabalho de 8 hs por turno num retrocesso cruel.
Há décadas a carga horária de 6 horas é reconhecida como adequada ao profissional de saúde com reflexos positivos ao atendimento direto ao paciente. Além disso, permitindo um regime de trabalho mais saudável para mães (paramédicas) que têm um lar para cuidar.
Pois bem. O Sr. gestor do monopólio, diante da inovação de lei para dar o justo piso salarial à enfermagem, adotou a postura matreira de passar a carga horária para 8 hs em lógico prejuízo da enfermagem e que se reflete no atendimento ao paciente. Conduta inaceitável para quem usa e abusa da fala de amor e humanismo.
Pior: já perdeu decisões na Justiça trabalhista, mandando cumprir o que é legal, justo e de direito, relutando a cumprir devidamente a lei e o mínimo de senso humanitário para uma valiosa classe de trabalho.
Junta-se agora a desqualificação progressiva do atendimento no principal hospital geral da região, que é a Santa Casa, por conta de profissionais com formação insuficiente para as decisões médicas, somado a uma enfermagem estressada, com vida afetada por uma carga de trabalho antiquada de nível já superado.
Mas o que assusta é assistir entrevistas em âmbito nacional, categorizando a medicina de Barretos como o “maior parque tecnológico da América Latina” e dos maiores do mundo, postando-se a pedir mais doações em dinheiro, tendo como pano de fundo mitigações da qualidade real e a sovinice diante da enfermagem que são parceiros louváveis e verdadeiros heróis recentemente provados na pandemia de Covid.
Ficou patente a postura dessa gestão monopolizadora de forçar demissões de enfermagem, pensando no balanço econômico da Fundação, ou daquilo que se poderia chamar “Sistema de Amor”, muito propício na hora de pedir doações.
Entretanto, extremamente cruel ao impor essas regras e manobras junto à enfermagem, sem falar no desprestígio que claramente impõe aos profissionais médicos, já há décadas.
E se quiser sair da sede Barretos, é fácil verificar o que tem acontecido em outros Estados da Federação tal qual o Conselho Regional de Medicina de Tocantins, no Estado da Rondônia, etc. em que as coisas não são tão dignificantes como se pretende mostrar com o efeito de marketing claro e evidente.
Desconfortável assistir um desfile de hipocrisias e encenações visando sucesso de arrecadação financeira, forçando as pessoas a assistirem com falsos sorrisos e emoções e a população mais carente com atendimento indigno.
Que prevaleça a verdade.

 

 

Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião e Ex Diretor
Clínico da Santa Casa de Barretos,
Ex Presidente da Assoc. Paulista
de Medicina – Reg. de Barretos e Advogado

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