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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Artigos

Energia solar, ainda sem musculatura

O Brasil tem aptidão natural para geração de energia limpa e renovável, num momento em que a transição energética virou prioridade no mundo inteiro.
Esta é uma enorme oportunidade para acelerar o desenvolvimento e criar empregos, renda e arrecadação de impostos. No entanto, por aqui as coisas continuam lentas; há declaração de intenções, mas falta formulação de políticas públicas. Até agora, por exemplo, não há definições sobre como o País poderá se tornar grande produtor de hidrogênio verde, uma das commodities do futuro.
Apesar das vacilações, o segmento da energia solar avança meio na base da espontaneidade, tanto nos grandes empreendimentos como no investimento formiga. Já está em funcionamento uma importante cadeia de valor na geração de produtos e de serviços que gravitam em torno dessa área. Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica dão conta de que, desde 2012, o setor recolheu R$ 45,8 bilhões aos cofres públicos e abriu mais de 911,4 mil postos de trabalho.
O recuo dos preços dos sistemas fotovoltaicos foi fator determinante para esse desenvolvimento. Desde 2016, o preço médio de um sistema residencial de quatro quilowatts-pico (kWp) acumula redução de 50%; e para os sistemas de grandes usinas, a queda foi de 46% no mesmo período.
Mas há outros pontos que explicam essa redução de custos. A maioria das placas solares que compõem os módulos e os inversores é importada. A redução dos preços não aconteceu apenas no âmbito dos fornecedores externos. O frete mais baixo e a existência de grande oferta de equipamentos no atacado ajudaram na redução de preços.
Por enquanto, é baixa a produção local, mas um decreto presidencial, de março deste ano, zerou os impostos federais sobre a produção de painéis solares até dezembro de 2026 para empresas habilitadas ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores. Isso pode estimular a indústria local.
O aumento da competição também tem impacto nessa redução, já que parte do preço para o consumidor final inclui os serviços de integração.
Hoje, mais de 30 mil empresas estão nesse mercado. A maior parte atua como integradores. Conforme informações da consultoria Greener, 94% dessas empresas são de pequeno porte e 76%, optantes do regime tributário do Simples. Ou seja, o aumento da musculatura do setor passa pelo crescimento dessas empresas, o que, por sua vez, exige melhora do ambiente de negócios e regras mais claras, sobretudo na geração distribuída, que eliminem as incertezas que ainda tolhem o setor, adverte Márcio Takata, CEO da Greener. (Com Pablo Santana)

 

 

Celso Ming é comentarista
de economia

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