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domingo, 11 de janeiro de 2015

Artigos

Enem 2013

O Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, já teve dias piores na Era Lula, e agora vai recuperando algum crédito. O realizado em 2013 e revelado em dezembro de 2014 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traz algumas dicas para os defensores da Educação. 
É claro que os primeiros lugares não devem ser levados a sério quando essas escolas são pequeníssimas e funcionam no mesmo endereço de outras gigantes, é um truque para enganar os incautos, escolhem os melhores alunos e os colocam em uma sala que é a “escola de elite”. É claro que não julgam isso picaretagem! 
As escolas de São Paulo dominam as primeiras posições, das cem maiores médias na prova objetiva, 28 são de escolas paulistas. A prova objetiva considera as notas em quatro áreas: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. E enquanto a média do Brasil é de 482,31 pontos, a de São Paulo, que tem as maiores redes pública e particular do Brasil, é de 514,02. A rede pública obteve 499 pontos e a particular, 563,48. 
A melhor instituição com maior número de alunos participantes é o Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, foram 440 alunos que fizeram a prova, ficou com a 21ª posição e obteve média na prova objetiva de 694,65. 
Das cem melhores escolas, 77 são do Sudeste e apenas sete escolas públicas. A melhor pública é o Colégio de Aplicação de Coluni, ligada à Universidade Federal de Viçosa, com uma média de 702,99 pontos na prova objetiva. No Brasil, as médias das particulares na parte objetiva foi de 553,68 e das públicas foi de 482,31. 
A escola pública paulista mais bem colocada aparece na 116ª posição, o Colégio Técnico de Campinas, ligado à Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que teve nota 654,90. A segunda colocada é a Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etesp), com nota 654,64, seguida do campus Cubatão do Instituto Federal de São Paulo, que teve nota 648,06. E seguem outras escolas técnicas. 
E pela primeira vez no Enem, avaliou-se a diferença entre colégios particulares e gratuitos considerando-se as características socioeconômicas dos alunos e verificou-se que a diferença é menor de 5%. E é a pobreza que mais influencia. 
A partir de informações de renda indireta, como bens e a escolaridade dos pais dos alunos que fizeram o Enem, o Inep estabeleceu sete grupos socioeconômicos. Nos dois níveis mais baixos, com os alunos mais pobres, os alunos da rede pública têm média 449,05 na prova objetiva, enquanto que a média da rede particular nesse grupo é de apenas 452,66. Nos níveis médios, a nota das públicas é de 480,7 e das privadas de 502,7. Já no nível mais alto, a nota média da rede pública foi de 550,67 e da particular, de 570,1 (3% superior). 
Parece incrível constatar que a diferença entre as escolas públicas e privadas mais se deve a pobreza do aluno. Por outro lado é uma oportunidade para que as autoridades e professores possam lidar com o problema “aluno” a partir de um novo ponto de vista. A escola precisa de Educadores e não somente professores, com participação das Igrejas, Polícias e sociedade em geral. Mãos à obra? 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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