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domingo, 17 de janeiro de 2016

Artigos

EMPREENDEDORISMO: A REVOLUÇÃO NO BRASIL

A raiz da palavra empreendedor remete-nos há 800 anos, com o verbo francês entreprendre, que significa “fazer algo”. Uma das primeiras definições da palavra “empreendedor” foi elaborada no início do século XIX pelo economista francês J.B. Say, como aquele que “transfere recursos econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento”. O termo “entrepreneur” foi incorporado à língua inglesa no início do século XIX. Entre os economistas modernos, quem mais se debruçou sobre o tema foi Joseph Schumpeter, que teve grande influência sobre o desenvolvimento da teoria e prática do empreendedorismo. Em seus estudos, ele o descreve como a “máquina propulsora do desenvolvimento da economia. A inovação trazida pelo empreendedorismo permite ao sistema econômico renovar-se e progredir constantemente.” De acordo com Schumpeter, “sem inovação, não há empreendedores, sem investimentos empreendedores, não há retorno de capital e o capitalismo não se propulsiona.” Em minha longa jornada sobre este fascinante e absorvente assunto, resolvi adotar a definição, resultado de uma pesquisa internacional (Pós Doutorado na Argentina) conduzida entre janeiro de 2014 e junho de 2015: “Empreendedorismo é a criação de valor por pessoas e organizações trabalhando juntas para implementar uma idéia através da aplicação de criatividade, capacidade de transformação e o desejo de tomar aquilo que comumente se chamaria de risco.” O movimento empreendedor no Brasil: O relatório (GEM) (Global Entrepeneurship Monitor), organizado por duas renomadas escolas de administração, o Babson College, dos EUA, e a London School of Business, da Inglaterra, e realizado em 37 países em 2002, apontou os seguintes resultados para o Brasil: – O Brasil possui um nível relativamente alto de atividade empreendedora: 13,5 em cada 100 adultos da População Economicamente Ativa (PEA) são empreendedores, colocando o país em sétimo lugar do mundo. No entanto, mais da metade deles está envolvida por necessidade e não por oportunidade; – As mulheres brasileiras são bastante empreendedoras: a proporção é de cerca de 40%, uma das maiores entre todos os 37 países participantes do levantamento; – A intervenção governamental possui duas facetas: tem diminuído, mas ainda se manifesta como um fardo burocrático; – A disponibilidade de capital no Brasil é escassa. Muitos empreendedores brasileiros ainda percebem o capital como algo difícil e custoso de se obter. Para piorar, os programas de financiamento existentes não são bem divulgados; – A falta de tradição e o difícil acesso aos investimentos continuam a ser os principais impedimentos à atividade empreendedora no Brasil. Existe uma necessidade urgente de estimular as práticas de investimento; – O tamanho do país e suas diversidades regionais exigem programas descentralizados. As diferenças regionais de cultura e infra-estrutura também exigem uma abordagem localizada do capital de investimento e dos programas de treinamento; – Infraestrutura precária e pouca disponibilidade de mão-de-obra qualificada têm impedido a proliferação de programas de incubação de novos negócios fora dos grandes centros urbanos; – O ambiente político e econômico tem aumentado o nível de risco e incerteza sobre a estabilidade e o crescimento.  – Existe uma necessidade de aprimoramento no sistema educacional como um todo, o que estimulará a cultura empreendedora entre os jovens adultos. Os programas existentes têm sido percebidos como desconectados da realidade, com pouca integração à graduação e ensino básico; – Não há proteção legal dos direitos de propriedade intelectual, os custos para registro de patentes no país e fora dele são altos e os mecanismos de transferência tecnológica são parcos. As universidades ainda estão isoladas da comunidade de empreendedores. Nas palavras do jornalista Diógenes Ribeiro, da revista Empreendedor, “o quadro complexo que se desenha para a nova administração deve deixar os empreendedores numa lista de espera que conta ainda com sem-terra, funcionários públicos, agricultores e aposentados.” No entanto, diversas declarações da presidente Dilma e de membros seniores de seu gabinete têm confirmado suas intenções manifestadas durante a campanha. O estímulo ao empreendedorismo, sob diversas formas, pode e deve facilitar o alcance do objetivo de gerar novos empregos. Basta fazê-lo de forma articulada por meio dos diversos mecanismos e órgãos já existentes como, por exemplo, o SEBRAE e as diversas incubadoras de novas empresas, e também por intermédio de parcerias com as universidades e empresas privadas. Segundo o estudo do GEM (Global Entrepeneurship Monitor) de abrangência mundial, existem pelo menos 14,4 milhões de brasileiros que já estão tomando o risco de ser empresários, 27% deles na faixa de 25 a 34 anos, 42% mulheres. Um contingente que, recebendo o apoio correto e necessário, pode alavancar milhões de postos no mercado de trabalho. O Brasil tem todos os elementos necessários para iniciar uma verdadeira revolução empreendedora, com benefícios tangíveis para toda a sociedade. É imprescindível que os setores públicos e privados trabalhem em sintonia fina para que isto se produza e possa se transformar numa profecia auto-realizável ainda dentro deste mandato presidencial. O Brasil de empreendedores: O que se tem é o retrato das extraordinárias mudanças pelas quais o Brasil passou no decorrer dos últimos 100 anos. Francesco Matarazzo, o personagem que abre a série dos 20 empreendedores nacionais como imigrante italiano que mais tarde ganharia o título de conde fundou a Metalúrgica Matarazzo (Foi um dos maiores e o principal fabricante de embalagens metálicas do Brasil), Jorge Paulo Lemann (Grupo do qual o empresário brasileiro faz parte se uniu recentemente a Kraft Foods, que comanda empresas como Lacta, Royal, Tang, Trakinas e Trident, Stella Artois, Budweiser, Corona, Skol, Brahma, Bohemia, Antarctica, Polar, Norteña, Bud Light, Quilmes. Todas essas marcas de cervejas e outras tantas  fazem parte da companhia AB InBev, a maior cervejaria do mundo). Jorge Gerdau (É um empresário brasileiro, atual presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau. É suplente do conselho deliberativo do time de futebol, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, com mandato de 2013 a 2019) e Abílio Diniz (É um empresário brasileiro, Presidente do Conselho de Administração da BRF. Foi sócio da Companhia Brasileira de Distribuição, que inclui as bandeiras de Varejo Alimentar, Pão de Açúcar e Extra, de Atacarejo, Assaí e de Eletro, Ponto Frio (Globex). Também foi sócio majoritário das Casas Bahia, através da sua controlada Globex S/A  é outro). É o país que, cada vez mais, tenta se movimentar de acordo com a lógica do mundo globalizado. Três banqueiros aparecem na lista: Amador Aguiar, do Bradesco; Olavo Setubal, do Itaú; e Walther Moreira Salles, do Unibanco. Há também três representantes da mídia: Assis Chateaubriand, o polêmico criador dos Diários Associados e pioneiro da televisão no país; Victor Civita, o fundador da Editora Abril, que edita a EXAME; e Roberto Marinho, das Organizações Globo. Sebastião Camargo, da Camargo Corrêa, e Norberto Odebrecht, da Odebrecht, aparecem como os grandes empreiteiros brasileiros.
 
André Luiz Bastos: Licenciado em Educação Física UNESP Bauru, Licenciado em Filosofia pela Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina, Mestre em Educação pela UNFRAN – Franca SP, Doutor em Ciências da Educação pela UNCUYO – Universidade Nacional de Cuyo – Faculdade de Filosofia e Letras Mendoza – Argentina e Pós-Doutorado pela UNREF – Univresidade Tres Febrero Buenes Aires– Argentina. Coordenador do NAD – Núcleo de Apoio ao Docente. Professor nos cursos da Faculdade Barretos. prof.andrebstos@hotmail.com.

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