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segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Artigos

Em defesa do Patrimônio Histórico e Cultural

Caros leitores,
Dezessete de agosto assinala o ‘Dia Nacional do Patrimônio Histórico’, cuja preservação é de vital importância para a identidade de um povo e constitui-se de bens materiais e naturais, enquanto que, o Patrimônio Cultural está dividido em: material, como bibliotecas, museus, universidades e os imateriais, como danças, músicas, costumes, tradições, manifestações folclóricas, entre outras.
Em Barretos, infelizmente, não existe uma política pública para preservação de nosso patrimônio histórico e cultural, com o tombamento de imóveis e preservação de bens culturais. Ao longo dos anos poucas ações foram desenvolvidas, o que nos acende um sinal de alerta. Apenas o prédio do Museu, pertencente à prefeitura, construído em 1907, para abrigar o Paço Municipal, conhecido como Palácio das Águias, foi tombado conforme Lei 2.240, de 10/11/1988, na gestão do prefeito Milton Ferreira; o Recinto ‘Paulo de Lima Corrêa’, inaugurado em 1945, próprio estadual, para a realização de Exposições de Gado e palco da Festa do Peão de Boiadeiro, entre os anos de 1956 e 1984, cujo tombamento pelo CONDEPHAAT, deu-se a 11/03/2010.
A demolição, em 1971, do prédio do Grupo Escolar ‘Dr. Antonio Olympio’, primeiro grupo escolar de Barretos, nos moldes republicanos, cuja construção datava de 1912, localizado na Pça Francisco Barreto. Era uma imponente construção, que, apesar da degradação pelo tempo, era passível de restauração. Que não servisse mais como escola, poderia, no entanto, abrigar um centro cultural; outro imóvel na esquina da avenida 15 com a rua 18, antigo Hotel São José, que outrora fora o Hotel Martinelli, Grande Hotel e Colégio Sírio Brasileiro, dono de uma fachada esplêndida, que deveria ser conservada, com apenas modificações internas, porém, a demolição foi total; lamentamos profundamente esses e outros aniquilamentos de imóveis de relevância histórica.
No mês passado, a ALAB – Academia de Letras e Artes de Barretos, se viu às voltas com um impasse que envolveu a ‘casinha’, recuperada pela entidade e transformada em pequeno museu, com objetos, recompondo os usos e costumes da Barretos de outrora, com esmero, pelas mãos da historiadora Elisete Tedesco. A construção data do início do século XX, localizado no ‘sítio histórico’, a antiga Fazenda Fortaleza, na avenida 13 entre as ruas 6 e 8. Infelizmente sem lograr êxito, a ‘casinha’ foi desocupada. O imóvel continua em pé, mas sem o uso cultural. E até quando?
Já, em agosto de 1991, o Cine Barretos, foi salvo pelo gongo, após desativado. Estava prestes a se transformar em uma Igreja evangélica. Na última hora, o prefeito Ibraim Martins da Silva, desapropriou o imóvel, sendo o mesmo transformado em Centro Cultural ‘Osório Faleiros da Rocha’, conservando todas as características arquitetônicas a serviço da cultura.
Em julho, a pedido da ABC – Academia Barretense de Cultura, a prefeitura revitalizou, com pintura e iluminação própria, o Obelisco em homenagem ao MMDC, doado em 1970, pelos veteranos da Revolução Constitucionalista de 1932 e, erguido no centro da Praça 9 de julho. Hoje, se encontra no mesmo lugar, mas rente ao alambrado do Terminal de Ônibus Urbano, ofuscando-o.
Em meados do ano passado houve o desmonte da Cinemateca Prof. Nazim Chubaci, criada em 2014, quando era Secretária de Cultura, a historiadora e membro da ABC, Karla Armani Medeiros, localizada na praça Francisco Barreto, cujo acervo videográfico, remete aos anos 1990 até aproximadamente 2010, o qual fora doado pela família do prof. Nazim. Hoje as fitas de vídeo se encontram encaixotas em uma sala no Recinto ‘Paulo de Lima Corrêa’, sujeitas a deterioração. A nosso pedido, o vereador Adilson Ventura de Mello, propôs, na Câmara Municipal, o Projeto de Lei 78/2021, que obriga o Poder Executivo a recuperar, guardar, preservar e disponibilizar o acervo da Cinemateca à população, inclusive pelas redes sociais. O projeto foi aprovado por unanimidade nesta semana e a Lei deverá ser sancionada pela prefeita Paula Lemos, nos próximos dias.
Que as vozes sensíveis em prol do patrimônio histórico e cultural sejam ouvidas, para que no futuro não ‘choremos pelo leite derramado’, como diz o ditado popular.

José Antonio Merenda
Historiador e membro da ABC – Academia Barretense de Cultura – Cadeira nº 29.

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